Um post à moda antiga.

November 4, 2010 § 1 Comment

Porque faz tempo que eu não blogo.

Em menos de um mês o Malandricus faz anos.

Sete anos. Muito tempo pra um blog. Cerca de 25% da minha vida.

Não vou repisar a história do Malandricus ou o que ele significou ou o que ele significa.

A divagação acerca do fluxo cronológico implica na difusão da essência de si, que é alocada em três pontos distintos: passado, presente e futuro.

O fato é que o Malandricus me permitiu um diálogo interno. Se uma conversa pressupõe um dialogo entre interlocutores diversos, a emissão de uma mensagem que será posteriormente revisitada permite a conversa entre o eu que fui e o que que sou.

Esse diálogo, inicialmente distanciado foi se atualizando, com o interlocutor paulatinamente até um momento em que se inicia um diálogo do meu eu atual com meu eu atual.

O processo de auto-análise pressupõe um distanciamento objetivo do estudioso do objeto de estudo. Apenas a separação e a aproximação o mais objetiva possível permite que o processo investigativo caminhe sem esbarrar na falácia da Identidade Final-Acabada e se aproxime do conceito de Identidade Processo.

Tudo muda inexoravelmente, cabendo ao interessado guiar a mudança pelos aspectos que considera mais corretos sob o julgamento de um paradigma subjetivo de crescimento.

Algo que podemos perceber com o passar dos anos é que os amigos precisam de pouquíssimas palavras para se entender. Eles se sentem e, muitas vezes, não precisam explicar seus atos aos outros.

Em verdade, diria que a amizade de verdade é quando você tenta se explicar porque não consegue se entender, a despeito do seu amigo te entender perfeitamente.

Com o passar dos anos, sinto (não acho e nem sei, sinto) que o processo de auto-análise siga a mesma dinâmica: Não mais você pensa e se analisa, mas cada vez mais você se sente.

Nesse sentido (irresistível o vício de linguagem) a dualidade então necessária para se efetuar a auto-análise e o auto-aprimoramento converge a uma unidade.

Tal unidade, talvez (e apenas talvez) tenha sempre existido, sendo a dualidade um artifício pedagógico. Um meio para um fim.

Tal explanação serve para justificar-me perante a mim mesmo e a todos os que eventualmente lêem esse texto, não no intuito nobre de me fazer claro, mas sim na deliberada intenção de me entender, uma vez que sete anos após o início das minhas parcas atividades literárias (menores, mas ainda assim literárias) ainda não encontrei uma resposta simples e direta aos meus questionamentos.

Diversos momentos e em diversas ocasiões me flagro emitindo meu julgamento, aplicando minha razão (que ainda que relativa é tudo o que tenho) ao mundo.

Subitamente, me sinto atingido (como que alvejada por uma bala de diamante através de meu crânio) pela sensação de que o julgamento diz mais a respeito do julgador do que do julgado, mas tergiverso.

O fato é que dentre os julgamentos que frequentemente emito (e que não implicam necessariamente em uma pena) percebo que não se trata de bom x mau, mocinhos contra bandidos.

Não tenho essa moralidade.

No entanto, sei que tenho uma moralidade muito maior que boa parte das pessoas que conheço. Tenho meu código de conduta e aplico-o ao mundo ao meu redor, julgando e classificando de acordo com os paradigmas que aplico a mim mesmo.

Nesse sentido, repito: Não julgueis para não serdes julgado é um conselho sábio, não uma ordem, uma vez que a Vontade e o Amor sob Vontade são as únicas Leis.

Com toda certeza não se trata de um julgamento moral padrão, uma vez que ante a condenação moral surge o desprezo, e do desprezo nada surge.

Percebendo que ante o julgamento por vezes (e muitas vezes) exsurge a cólera, trata-se de um respeito, não de um desprezo. É o respeito que antecede o combate, algo como a saudação dos samurais.

Se volto meu desprezo à omissão, e me encolerizo face ao ataque àquilo que considero expressão de Justiça, observo que deve haver algo que não a mera moralidade que conquista minha atenção.

Não se trata de fazer o bem ou o mal, mas algo primordial e anterior à isso, dentro do meu julgamento parcial e pessoal.

Honra.

Trata-se de honra.

Sê sem medo em fronte aos seus inimigos. Sê  Corajoso e Justo para que Deus lhe ame. Fale a verdade de seu coração sempre, mesmo que isso lhe leve ao túmulo. Defenda os Indefesos e não ofenda aquilo que sabe ser correto.

Honra, esse atributo que recebe da humanidade diversos nomes, é um atributo de fortes, não de fracos. É um atributo daqueles poucos cujas palavras não vêm das cordas vocais, mas sim do centro do peito. Aqueles poucos cujas palavras são ação em movimento.

Percebam que não garanto de forma algum ser um desses poucos.

Pretendo a isso. É o que quero. Por admiração a esses poucos, ou mesmo por fé na existência desse estado de extase me proponho a tanto.

Reconheço uma longa distância mas sei que é possível.

Por isso mesmo, citando alguém que hesito em chamar de mestre ante o medo de não estar apto a assumir a condição de discípulo repito: me afastei do hipócrita por ter rejeitado muito antes a hipocrisia e fico feliz ao perceber que sou capaz de enxergar em tantos outros a mesma predisposição para mudar-se e muitas vezes deixar de lado tudo aquilo que jurava saber.

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§ One Response to Um post à moda antiga.

  • Petite Poupée says:

    Vamu batê cabeça Anarcoooooo!!!!!!!!!!

    Ps. Com vc, meu pensamento ganha diversidade. É loko, mas é legal! Não. Loucura seria me privar de vc!

    Bom finde!
    Bjo.

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