Tudo Aquilo que Você NUNCA Quis Saber Sobre o Natal e Eu Vou Falar de Qualquer Jeito.

December 27, 2010 § 1 Comment

Beleza, passou o Natal, então agora eu posso, de novo, falar tudo o que eu penso publicamente sem o risco de parecer mais ranzinza do que eu sou.

Eu não gosto do Natal.

Pra começar, a cidade, com essa quantidade absurda de luzes e com esse trânsito infernal mais parece a rua Augusta, mas sem as putas.

Não pretendo enganar ninguém aqui, mas o meu ranço com o natal vem de razões intra-pessoais e extra-pessoais. Por um lado, historicamente, as minhas comemorações do Natal são, quando muito, complexas.

Mas sem comentar o aspecto pessoal, esse texto é sobre o aspecto extrapessoal do natal.

Pra início de conversa: Nascimento de Cristo é a putaquetepariu.

Com todo o respeito (que não é pouco) a Jesus, O Cristo, quem quer que ele seja, tenha ou não tido existência física, corresponda essa existência ou não à versão que nos foi contada, ele NÃO nasceu no dia 25 de dezembro.

Na verdade, a comemoração no dia 25 de dezembro foi meramente (mais um) artifício da igreja católica para tentar FODER as religiões pagãs, se apropriando da data mais sagrada.

E sim, isso me deixa extremamente irritado, a ponto de ter vontade de enfiar um lápis mal-apontado no cérebro, e passando pelas narinas, de todo mundo que vem e me fala “pra lembrar do aniversariante”.

No fim, o Natal virou uma casca de comemoração, com gente comemorando sem nem saber o quê.

E já que estamos nesse assunto, ressaltando que 99% do que esse texto fala pode ser encontrado aqui, aqui, aqui e aqui, por quê comemora-se o natal no dia 25 de dezembro?

Bom, de fato é originado de uma data pagã, mas não é algo aleatório do tipo “hummmm… precisamos de mais um feriado!”, ou “Vamos aquecer o comércio!”, ou ainda “vamos puxar o saco do Zé e fazer um feriado na data em que ele nasceu!”.

Na verdade, o natal é uma data astrológica, que marca no hemisfério norte a passagem do Solstício de Inverno.

A despeito de a gente não olhar muito mais pro céu (e de fato é foda, porque as cidades nos ofuscam pra caralho), existem datas específicas que marcam os calendários sagrados, especificamente os solstícios de verão e inverno (dia e noite mais compridos), os Equinócios (dias e noites iguais).

O Natal, no Hemisfério Norte, é o Solstício de Inverno.

Bom, eu não vou me extender muito (confio na cultura dos meus leitores – ou na capacidade deles de fuçar na wikipedia), mas as estações ocorrem em função do movimento translativo da Terra ao redor do sol, o que gera o afastamento maior ou menor dos hemisférios do Sol.

No caso do Hemisfério Norte, os observadores viam o Sol se afastar cada vez mais, até atingir (no dia 22 de dezembro) o ponto mais baixo, onde ele ficava parado (ou morto) por três dias até voltar a ascender no céu, na manhã do dia 25 de dezembro.

E sim, tem mais coisa no meio da história (tipo o cinturão de Orion em conjunção representando os três reis magos e formando uma linha com Sirius – a Estrela de Belém – que é a estrela mais brilhante nessa época do ano, apontando pra onde o Sol nasce).

O que realmente importa é que toda a comemoração do Natal nada mais é do que um retalho da comemoração do Renascimento do Sol (retalho mesmo, especialmente porque no hemisfério sul não tem NADA a ver).

O ponto que vem ao caso, no entanto, é algo que eu venho pensando há algum tempo, e que vem se modificando e me modificando: nem tudo o que existe precisa de existência concreta.

Oras, a 9ª Sinfonia de Beethoven existe. Ela não é o CD na qual está gravada, não é a partitura na qual está escrita e nem a orquestra que a executa.

Matemática existe, e não depende do substrato na qual é representada.

O Super-Homem existe, mesmo que não tenha vindo de Krypton ou que não tenha salvo as duas pessoas que pularam do viaduto do chá na semana passada.

Quer uma prova? Bom, dois músicos que nunca se viram podem tocar a mesma música, a casa/apartamento/prédio no qual você está agora só existe em razão dos cálculos estruturais, a razão entre diâmetro e comprimento da circunferência é sempre constante, e se você fizer um filme sobre o super-homem a DC ou quem quer que detenha os direitos autorais VAI processar você.

Dentre tantos outros exemplos, como o Direito: As Leis não são os livros ou o papel no qual estão escritas. Mas que existem, existem.

E o Natal, nada mais é que um símbolo: é o Renascer do Sol, da Vida, da Esperança, da Luz, da Bondade, etc, etc, etc.

Um símbolo em si não serve pra nada. Sozinho, nada significa. Uma lei precisa ser entendida, porque só quando você entende ela, por dentro e por fora, você vai conseguir tirar tudo o que dá para tirar dela.

Matar é crime. Em legítima defesa há a excludente de ilicitude.

E bem, eu meio que decidi esse ano: Não interessa se o mundo fica repetindo a mesma casca de celebração: se pra mim o símbolo existe e representa algo maior, cabe a mim me comportar de acordo com essa verdade.

Por isso eu digo: limpe sua casa, enfeite-a, encha-a de luzes, olhe para o céu e agradeça: a Terra continua girando, o Sol continua brilhando, e mesmo que a Morte tenha paciência e saiba esperar, a vida é teimosa e insiste e nascer.

E por isso, por ter tido a chance de mais um ano comemorar o meu Natal, eu agradeço e desejo a cada um de vocês uma vida leve, e que o sol brilhe suavemente às suas costas, que a estrada se abra em paz ante seus pés, que a chuva limpe e lave a sua sede, e que até que nos encontremos de novo, Deus carregue você na palma das mãos.

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§ One Response to Tudo Aquilo que Você NUNCA Quis Saber Sobre o Natal e Eu Vou Falar de Qualquer Jeito.

  • Karina says:

    Eu já abri o berreiro achando ter visto o papai noel à noite e com medo de que, por isso, ele n voltasse para me dar o presente. Ano passado, dando presente para duas crianças cujo credo de família n inclui papai noel, fiquei pensando por que afinal se acredita que iludir criancinhas faz da infância uma época melhor. Os dois estavam lá, perfeitamente crianças, com toda a graça que a infância por si traz.
    Mas, enfim, de todas as datas, natal é a que ainda me encanta, muito além dos símbolos. Talvez muito aquém. Pq celebrar o natal sempre representou alegria para mim. E o valor das datas está aí mesmo, onde cada um o enxerga (ou não). Passada a fase em que nos fazem acreditar no papai noel, ganhamos essa liberdade, agora a coisa depende de nós (sem referência à musiquinha, embora caiba).

    Da e-letter, achei a ideia bonitinha, por isso lembrei. até a próxima.

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