Porque às vezes é importante dar atenção aos comentários…

July 5, 2011 § 24 Comments

Anonymous said

Lindo comentário do Alex. Hoje estudo, em relação ao meu curso, na melhor universidade do país. Só consegui isso porque estudei em boas escolas, fiz bons cursinhos. E todo dia me deparo com colegas tristes, preguiçosos, medíocres, que reclamam de tudo. Professores sem nenhum comprometimento com a universidade. Dão aula por status (quando dão) , para angariar bons clientes, continuar defendendo causas milionárias. Não consigo imaginar que minha formatura será mais feliz que a dele. Espero que o teu amigo continue muito feliz. Anarco, esse texto é triste.

Anonymous said

Sabe o que eu fiquei pensando? Tomara que o formando não tenha percebido o que tu estava sentindo e pensando naqueles momentos. Triste.

Por que resolveu publicar o texto Formatura? Posso ser sincera? O Anarco como sempre escreve muito bem , mas o Tarso me decepcionou. 3 hours ago

Os dois comentários acima vieram do meu texto “Formatura”. Os dois comentários e umas duas ou três perguntas no Formspring, inclusive a que eu citei acima.

Aparentemente um/uma anônima  andou passeando pelo Anarcoblog, o que é uma coisa muito legal pra mim.

Quer dizer, eu, enquanto autor, fico feliz, e penso em voltar e dar uma revisada nos meus textos pra caçar erros de digitação de uma época em que um blog era só um blog. Talvez consolidar todo o Anarcoblog em um site de verdade.

Anyway, não é essa a questão: pensei se deveria responder ou não.

E a primeira coisa que eu gostaria de dizer é que o Anônimo do formspring tem o direito de discordar, debater, questionar, reclamar, se incomodar, me achar um babaca e escrever um texto em resposta.

Mas não tem o direito de não se decepcionar ou de não se incomodar.

Ninguém tem o direito de não ser incomodado em suas opiniões e visões.

A vida, felizmente, não garante esse direito.

Você vai ver pessoas fazendo coisas que te desagradam e estão dentro do livre arbítrio delas. Ocasionalmente vão te machucar em “legítimo exercício de direito”. Na verdade, é possível que um dia você se interesse por uma mulher que está interessada em outra pessoa. E pode ser que um dia você seja a pessoa pela qual uma mulher se interesse, a despeito dos interesses alheios.

E sim, você também faz os outros sofrerem e agride pessoas com suas opiniões e manifestações.

Não interessa se você considera o homossexualismo uma perversão: homossexuais vão continuar se amando. Não interessa se você acha nazista o lixo da humanidade: eles vão continuar odiando. Não interessa se você é contra ou a favor da legalização da maconha: vai continuar existindo gente manifestando pela legalização e gente tentando reprimir.

As suas opiniões não vão fazer o mundo parar de rodar. Nem as minhas.

Ainda bem.

Porque somos humanos. E temos todo o direito de manifestar nossas opiniões. Mas elas têm que mudar, porque o mundo não tolera o imutável.

Às vezes precisamos escolher entre mudar e morrer, e é muito triste quando não conseguimos mudar.

Agora, o que de fato me chamou a atenção não foi nem o incômodo do(a) Anonymo(a), mas sim o fato de que a pessoa realmente não olhou pra onde eu tava apontando.

Eu tento mostrar que a felicidade é uma flor que nasce no asfalto, uma Rosa que nasce na Cruz, que a vida é teimosa e que a esperança é insistente e tudo o que ela consegue ver é “sacanagem que ele achou a formatura ruim”.

Porque é sobre isso o texto: sobre o fato de que o sol vai continuar nascendo, as pessoas vão continuar nascendo e morrendo, e a felicidade não tem qualquer relação como a faculdade que você faz ou com o emprego que você tem.

You’re not the car you drive. You’re not your bank account. You’re not the clothes that you wear.

You have to give up. You have to realize that someday you will die. Until you know that, you are useless.

Aí eu aponto pro sol nascendo e me dizem: “Que dedo feio.”

Obviamente, a interpretação de um fato fala mais sobre o observador que sobre o fato e isso é algo sobre o qual eu não tenho controle algum.

E nisso eu me lembro de algo que o Breno falou pra mim após a pior noite da minha vida: A iluminação não vem com anjos e perfume de rosas.

A iluminação é uma reorganização do Eu.

E, por fim, se alguém acha que só está numa ótima faculdade porque teve acesso a bons colégios,me responda: acaso dois irmãos fazem a mesma faculdade? Todas as pessoas do mesmo colégio passam na mesma universidade?

Mesmos professores.

Mesma escola.

Mesma família.

Se somos fruto dessa relação causal, porque as mesmas causas geram consequências diferentes?

Pensar enlouquece.

Pense nisso.

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§ 24 Responses to Porque às vezes é importante dar atenção aos comentários…

  • Anonymous says:

    Agora, o que de fato me chamou a atenção não foi nem o incômodo do(a) Anonymo(a), mas sim o fato de que a pessoa realmente não olhou pra onde eu tava apontando.

    Eu tento mostrar que a felicidade é uma flor que nasce no asfalto, uma Rosa que nasce na Cruz, que a vida é teimosa e que a esperança é insistente e tudo o que ela consegue ver é “sacanagem que ele achou a formatura ruim”.

    Entendi perfeitamente o que tu estava mostrando. Mas acabei focando em uma parte do texto na qual não concordo :quando tu diz que ele não tinha motivo para estar feliz.

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    • Akasha says:

      Se me permitires uma observação, nobre anonimo: cuidado com focos descontextualizados. Pode trazer pobreza a um ambiente rico, tristeza em uma poesia sobre felicidade, sujeira em uma sala limpa. Ou até mesmo um dedo sem graça, onde na verdade deveríamos nos encantar com a lua.

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  • Anonymous says:

    Não sei explicar. Mas esse texto me comoveu. Eu gosto das pessoas. Torço para que ele esteja bem.

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    • Akasha says:

      E é exatamente por querer que as pessoas estejam bem que muitas vezes devemos dar uns puxões de orelha nelas.

      Embora vale lembrar que o bem estar de outrem não está sob a minha responsabilidade. E o que eu acredito ser o melhor para fulano, pode significar sérios problemas para o mesmo.

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  • Hipotérmico says:

    We´re the all singing, all dancing crap of the universe.

    Não gosto da idéia de não-causalidade. Em uma acepção bem rigorosa significa dizer que o comportamento do que se observa depende de eventos que ainda vão acontecer. E ainda que isso seja absolutamente possível, e real, insistimos numa idéia tacanha de tempo linear.

    Em outras palavras, rotulamos de não-causal aquilo que não temos coragem de tentar entender. E vale perguntar, se quando o mestre aponta, o aluno olha o dedo, de quem é a “culpa”?

    Desista da sabedoria, desista da santidade….

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  • Breno Tiki says:

    Obrigado pela citação hehehhe

    Sinceramente eu não acredito que o emissor seja culpado pela recepção de seu material. Você vai falar x e cada pessoa vai entender uma coisa, tem gente que vai chegar a grandes conclusões através de erros de interpretação (se é que isso existe)

    Midia não tem elástico, depois que o criador solta sua arte ele tem vida própria. Vide Marcha dos Pinguins que nem o criador entendeu o porque que o doc fez sucesso! o Principe do Maquiavel era um livro de ironia contra os Borgia ….

    O Sábio aponta para lua, o burro olha para o dedo, o outro burro olha para o olho do sábio, um quarto burra fica indignado com a discussão entre o olho e o dedo do sábio e um quinto alcança a iluminação pois quando o mestre apontou o dedo ele conseguiu ver uma catota no nariz do mestre… vai saber….

    E outra, se um livro seu mudar a visão de mundo de uma geração, importa se a mensagem foi alterada

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    • Akasha says:

      Prezado Breno,

      concordo com suas colocações. Talvez a única coisa que esteja sobre o nosso controle é fazer com que a nossa mensagem seja o mais coerente e clara possível, tendo como referência a minha intenção, ou seja, se tenho a intenção de comunicar A, que eu o faça da forma mais verdadeira e clara possível. Se o receptor perceber B, ou C, ou nuances de D, isso está completamente fora do nosso alcance.

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  • Gueixa says:

    Pois então….A gente acha que está sendo tão transparente, tão direto, tão claro….
    A Lívia Petite me disse algo sobre isso muito interessante que eu vou colar aqui.: “… como se a linguagem fosse essa coisa cristalina…e por que não é? porque linguagem está ligada à arte! Darwin disse lá no séc. XIX q linguagem era uma tendência instintiva de adquirir arte…” e ela continuou…: “A gente não precisa entender de música: partitura, claves, sustenidos, etc, para entender e amar Bach. Cara, qts coisas a gente consegue fazer ouvindo música? É diferente com as palavras! Vc pode conhecer as palavras, lê-las num texto e não conseguir entender absolutamente nada. É dramático…”:
    Beijo, Querido!

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    • Akasha says:

      Respeitosa Gueixa,

      somos transparentes a medida que nossos olhos enxergam a transparência nas nossas próprias palavras. Mas esquecemos que os outros muitas vezes usam óculos. Geralmente coloridos. E pintam com diversas cores o texto transparente que você soltou.

      Fiquei refletindo sobre a resposta que você colou da Lívia Petite. De fato, a música nos chega por vias indiretas… mas será que todos amam igualmente Bach? De fato, isso não ocorre. Há aqueles que se familiarizam mais, outros menos. Embora a música, creio, chegue até nós de forma mais primitiva, também é permeada de um fator social e de aprendizado. O que meus pais ouviam deve interferir no que costumo ouvir atualmente. E uma música tão “transparentemente linda e encantadora” para mim pode significar um inferno para ouvidos de outrém.

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  • Anonymous says:

    “E, por fim, se alguém acha que só está numa ótima faculdade porque teve acesso a bons colégios,me responda: acaso dois irmãos fazem a mesma faculdade?”

    Claro estudei muito, me dediquei. Mas não conseguiria isso se não tivesse acesso a bons professores, bons livros, uma boa alimentação, etc..

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    • Akasha says:

      Muitos conseguem, sem metade dos itens que você descreveu.
      Muitos não conseguem, com todas as vantagens externas citadas.

      Então está em você ou nos livros?

      Claro que não é possível subestimar o poder dessas variáveis. Mas quem fala mais? A estrutura externa, ou a interna?

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  • Fy says:

    Se somos fruto dessa relação causal, porque as mesmas causas geram consequências diferentes?

    E uma música tão “transparentemente linda e encantadora” para mim pode significar um inferno para ouvidos de outrém.

    [ – A própria Física questiona esta “ Lei ” de Causa e Efeito – já que em níveis subatômicos e à velocidade da luz a mesma causa pode produzir efeitos totalmente diferentes . ]

    – Akasha , eu adorei tuas respostas.

    Uma por uma.

    Vc afirmou :

    “Claro que não é possível subestimar o poder dessas variáveis.”

    Não sendo possível subestimar > torna-se, da mesma forma > impossível avaliar .

    Qts potenciais são despertos por causas externas e só possivelmente realizados em razão de estruturas externas ?

    Da mesma forma > o inverso .

    Qts potenciais internos jamais são identificados e se, … morrem na praia da frustração por falta de estruturas externas .

    Por outro lado, o fator interno é a força motriz : – sim, sem dúvida, mas nem sempre é capaz de superar a falta de estrutura externa.

    Nem todo o gênio é herói. E nem todo o herói é gênio, numa sucessão infinita de potenciais latentes ou não.

    Isto, claro sem esquecer os que desistem antes de começar, o q pode ser carência de vitaminas ou aquelas conformidades deprimidas q disfarçam o caráter preguiçoso, q eternamente surfa na carência infinita e total .

    Enfim > inúmeras variáveis e… complicadíssima avaliação.

    e aí vc perguntou :

    Mas quem fala mais? A estrutura externa, ou a interna?

    – Isto é possível responder ?
    – Eu queria ler a tua resposta.

    bj
    Fy

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    • Anonymous says:

      Vou comprar um par de sapatos. É bom pra carência ;)

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      • Fy says:

        Anonimo… ainda não comprou ?

        Eu imagino q seja mesmo difícel encontrar 2 pares iguais, … mesma cor, mesmo número, … com frequência .

        Enfim …- quem sabe Havaianas ?

        Espero ter te ajudado.

        ——————–
        Anarco, te respondendo:

        Prefiro, e seria uma enorme gentileza se vc apagasse os meus.
        Fy

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  • Nina says:

    Mas que fetiche que vcs tem com sapatos, hein? Rsrsrs…

    Nos momentos de carência (e mesmo na ausência delas) eu prefiro livrarias! De preferência com um bom café acompanhando um delicioso livro.

    Falando em livro, foram levantadas questões muito interessante aqui nos comentários, sobre o que determina mais o nosso comportamento: a criação (o ambiente e as variáveis sociais, ou externas) ou questões individuais/genéticas?

    Essa é uma discussão secular, principalmente no âmbito da filosofia, e acaba afetando a psicologia em cheio. Um livro que me marcou bastante e que versa de forma brilhante exatamente sobre essa questão é “O que nos faz humanos”, de Matt Ridley. Leitura de cunho mais cientificista, sem perder a veia cômica e toques quase poéticos! É excelente…

    Outro que aprofunda ainda mais essa discussão, mas que eu ainda não li (damned!) é o Tabula Rasa, do Pinker.

    De qualquer forma, sendo animais (ou deuses) complexos que somos, não dá para separar as variáveis que nos constituem de forma isolada: isso é interno, aquilo é externo.

    Mas parto do princípio que o interno, que nossa mente/alma/etc tem um poder muito maior do que qualquer variável externa. O problema é que a gente não sabe usar todo nosso potencial.

    Ao menos, ainda não.

    ;-)

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    • Gueixa says:

      Nina, eu diria que o interno é a reação de nossa índole. O Externo pode ser a reação de nossa inteligência (ambas desenvolvidas com as influencias de todas essas variáveis).
      Quero dizer o seguinte: Nossas reações, posturas e atitudes serão sempre determinadas por nossa índole associada à nossa inteligência.
      Tenho pra mim, que a índole sempre falará mais alto. E que sempre que formos contra a nossa índole, mesmo que a atitude seja “inteligente”, sofreremos.
      Mas isso é conversa longa.

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  • Anonymous says:

    Akasha, também quero ler a tua resposta. Por gentileza, nos responde!

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