Occupy the World! – Legendas do Último post.

November 30, 2011 § 12 Comments

Perguntaram no post passado e por email se eu era a favor do Movimento Occupy Wall Street… Expliquei por email, então vai aqui novamente alguns centavos a respeito.

Eu sou a favor de Wall Street e sou a favor do Movimento Occupy Wall Street. Explico.

Já há alguns anos eu conversei com um amigo meu e expliquei que eu odeio o “liberalismo de fachada”.

Livre comércio pra cá… livre iniciativa pra lá… é mão invisível, auto-regulamentação, redução tributária… mas quando você menos espera, out of nowhere, vai um grupo de empresários pra Brasília pedir isenção fiscal, proteção comercial, anistia tributária, financiamento do BNDES, etc.

Perceba: eu não sou contra a redução de impostos, muito pelo contrário. Mas eu sou contra a redução seletiva de impostos.

Do mesmo jeito, eu não sou contra a livre iniciativa. É competente? Tem mais é que ganhar dinheiro mesmo!

MAS… Eu sou contra a livre iniciativa que depende de ajuda estatal pra se manter.

Na época em que o caso estourou, foi muito discutido, aqui em São Paulo, o caso de um famoso cinema na esquina da Consolação com a Paulista.

Com o boom imobiliário, o proprietário quis rescindir o contrato para alugar o imóvel para uma loja de departamentos. Imediatamente, out of nowhere, o Prefeito e o Governador  começaram a propor o tombamento do prédio.

De novo: nada contra o cinema ou coisa que o valha. Mas eu acho muito complicado o Estado sair se metendo nas empresas. ESPECIALMENTE com o dinheiro que toda a população paga. Basicamente, é tirar alguns milhões (que poderiam ser alocados em um Hospital Público, p.ex., ou pagando os precatórios que o Estado deve, não nega, e paga quando puder) pra que os hipsters assistam cinema iraniano.

Nisso vem o porque eu sou a favor do Occupy Wall Street: A Crise de 2008 foi basicamente uma crise de regulação. Fizeram empréstimos ruins, que geraram créditos podres, revenderam esses créditos e lucraram horrores. Quando a bolha estourou, qual a reação? Help me Government!

Ou seja… de certa forma, estamos falando de um capitalismo adolescente: “Eu faço o que eu quero, mas me dá dinheiro pra ir no shopping?”

Porque é aquela história… muito fácil falar que “o livre comércio premia os mais eficientes” quando não se vê que “os mais eficientes” “coincidentemente” são os amigos do rei.

Por outro lado, eu achei o Occupy Wall Street genial: é pacífico, não causa problemas, apenas procura levantar uma bandeira de perspectiva. Nós somos o 99% do mundo e queremos um orçamento diferente. Se as guerras do novo século forem assim, estou feliz.

However… isso é só metade do problema.

A Outra metade, que pra mim é o mais relevante, é que, enquanto o mundo está tentando rediscutir o quanto nosso livre comércio é realmente livre e o quanto nossas bicicletas precisam de rodinhas, se é justo financiar os bancos que, grosso modo, foram irresponsáveis, aqui em São Paulo, os Estudantes da USP fazem uma passeata pra tirar o policiamento militar do campus porque três alunos foram abordados enquanto fumavam maconha.

Vamos sopesar as coisas:

Um grupo, de abrangência mundial, se dedica a ocupar pacificamente espaços públicos para chamar a atenção da divisão iníqua dos recursos estatais.

Outro grupo fecha a Paulista porque quer fumar maconha na faculdade.

Às vezes eu odeio meu país.

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§ 12 Responses to Occupy the World! – Legendas do Último post.

  • Karina says:

    Não sei se chegou a ver qd postei no face, vale muito a pena assistir: http://youtu.be/tytH0CQSsXo

    O problema n está na regulação, o problema são os reguladores. Não enxergo boas perspectivas. Mas nem de longe acho que a solução seria o mercado efetivamente livre. Estou igual aos occupiers…. questionamentos mil, nenhuma resposta hehe
    Aqui tivemos nossa parcela de movimento tb lá na Cinelândia, no Centro. Mas parece que anda meio esvaziado. Vê-se que é nossa parcela de movimento totalmente à brasileira.

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    • Anarcoplayba says:

      Faz todo o sentido que aqui no Brasil esteja esvaziado (Sampa tbm está pífio, pelo que eu ouvi falar): Somos a bola da vez do mercado mundial. A economia está crescendo, o consumo está em alta, o emprego está se regularizando, até mesmo a renda está melhorando. Nós não temos motivo pra reclamar.

      Lá não. A coisa lá tá tensa.

      Lá é um protesto “comida na panela”. Aqui é um protesto ideológico.

      Não estou falando que um é pior ou melhor que o outro, mas sendo um protesto ideológico, precisaríamos ter uma ideologia. E a gente ainda vive em uma dicotomia meio bizarra, né? Nossos “liberais” não são liberais e nossos esquerdistas são anacrônicos. No meio do caminho, temos uma galera “bland” que vai na onda.

      De fato, tem que ter muita convicção pra se dedicar a um movimento puramente ideológico que, convenhamos, é meio destoante no Brasil de hj…

      Ainda acho lindo e ainda acho admirável, especialmente por ser “desinteressado”.

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      • Karina says:

        Em contraponto à beleza, que triste conclusão essa a que vc chegou, com a qual tenho que concordar. O sapato tem que provocar bolha (e que bolha! $$$), n basta estar desconfortável.

        No início do ano, qd ainda estavam tb no início os movimentos árabes, questionei com uma pessoa o discurso recorrente de que o brasileiro é acomodado. N sei se o que há é acomodação, mas com certeza um excesso de tolerância. Nós ainda n chegamos ao nosso limite. E qual é nosso limite? n faço ideia, é esperar pra ver. Mas provavelmente tenha a ver com o metal tb. É estranho falar no coletivo, como se eu n fizesse parte disso. Faço, sei que faço. Não me orgulho.
        Agora, só pra constar: uma questão que me incomoda horrores é a crítica à grande imprensa, qd está mais que provado que, aqui, esses mesmos que criticam precisam de um empurrãozão da mídia pra se mobilizar. Não me desce.

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  • Fy says:

    Faz todo o sentido que aqui no Brasil esteja esvaziado (Sampa tbm está pífio, pelo que eu ouvi falar): Somos a bola da vez do mercado mundial. A economia está crescendo, o consumo está em alta, o emprego está se regularizando, até mesmo a renda está melhorando. Nós não temos motivo pra reclamar.
    Lá não. A coisa lá tá tensa.

    Poizé. Eu rebato com o comment da Karina. O brasileiro não fica tenso. Não quer saber .

    Enquanto isto, a China desaba :

    Follow me here : [ o site é um horror, mas a fonte… da fonte… é excelente : a análise é perfeita ]

    http://www.libertar.in/2011/11/vai-cair-china-ira-falencia-antes-dos.html

    Tirando o fato de q Wall Street reclama pelo q nós… brasileiros , … e mto menos os coitados dos chineses , nem sonhamos em reclamar, imagine o q significa pra nossa economia este crash madeinChina .

    Legal prestar atenção em economistas burgueses sobre os perigos de um retorno a um crescimento negativo – another double dip .

    O investidor George Soros [ um baita investidor ] já havia cantado esta perspectiva qdo afirmou em 2009 [ + ou – ] na Economist q na China já deveria haver uma espécie de bolha de ativos.

    – Lá é um protesto “comida na panela”. Aqui é um protesto ideológico.-

    …Man…. isto é ironia?

    – Do mesmo jeito, eu não sou contra a livre iniciativa. É competente? Tem mais é que ganhar dinheiro mesmo! –

    Well : eu sou da escola do Von Mises – e acredito na livre iniciativa.

    Mas, independente dos nossos possíveis entendimentos sobre tudo isto, medidas e alternativas loucas, safadas ou não, tentam segurar a bola. Este aqui é importante e muito bom, – fresquinho :

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1169

    Qto aos vídeos, são impressionantes, mas tirando o sensalionalismo bastante ziriguidum , são um convite a uma discussão maior : Poder Econômico & Poder Político nas democracias capitalistas.

    Ah… este Rush Limbaugh é um babaca à la Olavo de Carvalho. Não há nada q não seja Esquerda ou Direita. … e o mundo empaca . Vence o caquético dichotomic-man.

    Bj
    Fy

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    • Anarcoplayba says:

      Vou dar uma olhada nos links depois… mas onde eu vi essa foto, o comentário logo abaixo foi: “More of the same Rush Limbaugh trash”.

      Quanto aos comentários: Uma coisa que eu aprendi e que explica pq mais da metade das previsões econômicas falha (de marx a Soros) é que a partir do instante em que vc estuda uma ciência humana, ela muda o objeto de estudo.

      Ou, traduzindo: o que me preocupa são os unknow unknowns.

      Todo mundo (que está prestando atenção) sabe que existem alguns probleminhas. A China não tem como manter esse crescimento ad infinitum. O Brasil está numa bolha imobiliária e de consumo insuflada pelo crédito fácil (não pelo aumento real de renda).

      Isso costuma ser um problema (especialmente pq o que está acontecendo no Brasil hj é mais ou menos o que aconteceu nops Eua em 2008).

      Porém… assim que saiu meia dúzia de estudos mais arrumadinhos… o governo tomou o cuidado de cortar alguns incentivos ao Crédito. Isso é bom ou ruim? Não sei. É suficiente pra segurar a bolha? Não sei.

      Mas a pergunta de verdade é como isso afeta a gente e o que estamos fazendo por isso.

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  • Fy says:

    esquecí:

    se alguem prefere alguma outra escola : táqui a notícia fresquinha sem a análise da escola austríaca :

    http://www.cnbc.com/id/45490416

    bj
    Fy

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  • Fy says:

    qdo vc olhar os links, vai entender o porque de a China estar neste making-love com o Irã.

    Isto sim…. afeta bastante o planeta…. e, disturbs our dreams.

    bj
    Fy

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  • Karina says:

    Bom, assisti aos vídeos e li os links.

    Semana passada li uma entrevista que andou circulando pelo face com um especialista em energia elétrica que condena a instalação da usina de Belo Monte, o assunto da vez. Fico meio com o pé atrás com essas matérias que têm muita circulação especialmente pq, em geral, o pessoal gosta do que impressiona (caso dos vídeos postados aqui, inclusive o meu, e concordo com vc, Fy) e sai divulgando mesmo que n tenha grandes embasamentos. Tudo que é dito com alarde acaba sendo atraente o bastante para ser tomado por verdade.
    Pois bem, li a entrevista. Logo que li pensei que o cara, como especialista, era um belo de um crítico de governo e, mais ainda, um belo de um quiabo, escorregando pelas beiradas sem apresentar efetivamente solução alguma para o problema em questão: como promover o desenvolvimento sustentável no campo energético. Isso pq a principal alternativa que ele apresentava era a redução no consumo de energia. Meio dããããã, né. Pois é. Mas agora vejo esse discurso dele como o mais sensato em torno do assunto.

    E pq estou falando disso? Além do tema estar diretamente ligado à questão econômica, o fato é que, vídeos assistidos, textos lidos e opiniões consideradas, cada vez mais constato que, na verdade, ninguém sabe mesmo que remédio milagroso seria esse que manteria níveis de desenvolvimento andando em paralelo à sustentabilidade e à equanimidade social. O que vemos são medidas adotadas de tempos em tempos e apontamentos de falhas nessas medidas, sejam elas quais forem. sempre.

    Então, a contribuição da entrevista do tal especialista está justamente em fazer enxergar o óbvio: não adianta discutir de cima, é mais eficaz discutir a partir de baixo. O universo financeiro tomou essa proporção gigantesca e opressora pq alimentamos isso. Fomentamos o consumo e contribuímos diariamente para que as coisas não se alterem. E o mercado efetivamente livre — razão pela qual n o vejo como solução — só faria elevar todos esses problemas à milésima potência. Lei do mais forte? é isso que queremos, então? Talvez seja mesmo, pq se nutrimos o grande mercado com todos os nossos recursos é pq estamos bem ambientados e confortáveis nesse universo em que o capital é que comanda. E se estamos bem ambientados… qual a queixa, afinal? é o Estado beneficiar quem cavou a própria cova atrás de lucro? mas estes que cavaram a própria cova são crias do mercado para o qual se está defendendo a redundante liberdade irrestrita.
    Que aconteceria se n houvesse a intervenção do Estado? os financistas seriam mais responsáveis por saberem que não haveria uma mãe a quem pedir trocados? não sei se aposto nisso.

    Por isso confio que a solução seja mesmo a partir de nós, de baixo. O sistema atual exige e exalta o crescimento contínuo de PIBs, e eu pergunto: qual o problema na “estagnação”? não vejo como atingir esse bendito crescimento sustentável, honestamente. Precisamos é de mais educação, menos gente no mundo, mais consciência e razoabilidade no equilíbrio de demanda e oferta. Enquanto seguirmos a lógica do Steve Jobs de que n sabemos o que queremos, e consumirmos continuamente aquilo que nos apresentam como nosso desejo de consumo… sei não.
    O que temos aí e teremos em perspectiva pior mais adiante nada mais é que o retorno do que foi plantado. Repetindo uma expressão que Teté usou na discussão do post anterior: corremos atrás de nossos próprios rabos. E assim continuamos a cavar, nós, nossas próprias covas.

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