Nas noites das Macumbas das Bahias, os Atabaques soam como Clarins de Guerra.

July 29, 2012 § 7 Comments

Exceto pela absoluta falta de atabaques, clarins e guerras.

Salvador, 28 de julho de 2012.

Hoje saí de São Paulo e vim para a Bahia.

Não “A grande Bahia” que começa assim que acaba Guarulhos,  maior estado do Brasil (que começa assim que você passa o Rodoanel).

Contrariando todas as expectativas, so far, nada a reclamar. O Mcdonalds dos hotéis se apresenta exatamente como isso: um Mcdonalds de hotel. Um lugar em que as expectativas são depostas pelas certezas.

Dentre as pequenas surpresas reservadas, até então, está o fato de que a categoria de quarto que eu pedi não estava disponível, motivo pelo qual me deram um upgrade e me colocaram num quarto de frente para o mar.

De frente para o mar, durante o dia, significa um horizonte a perder de vista. À noite, significa a mesma coisa, com a diferença que a vista se perde muito mais perto.

O upgrade de sorte, mais um presente do Imponderável, este velho amigo que espreita a cada esquina provavelmente me outorgará um áureo amanhecer pela manhã de amanhã. Talvez eu consiga acordar e assista o sol se erguer das águas, tingindo o nascente de rosa.

Talvez eu meramente durma cinco minutos a mais.

Independentemente disso, novamente o acaso, que precisa apenas de um “s” atrasado para ser acaos, me rende, ao menos, o prazer de ficar em uma suíte de frente para o mar por uma noite.

Em retrospecto, não vejo nada que possa me dizer que eu mereço tal regalo.

Não dei doces para crianças, nem confessei meus pecados. Que eu me lembre faz muito tempo que não agradeço a Deus ou faço do universo um lugar melhor. Para falar a verdade, a última coisa boa que me lembro de ter feito foi ter dado bom dia para o porteiro.

O que significa que ou eu não faço muitas coisas boas, ou não fico contando as mesmas.

O que dá quase no mesmo.

As a matter of fact, milhas à minha frente existem mulheres circuncisadas, crianças subnutridas e uma taxa de AIDS assustadora.

E o que me separa deles foi, basicamente, 30 anos atrás, alguns milhares de kilômetros de espaço vazio.

E espaço vazio é muito pouco para diferenciar as pessoas.

Mas por ora, vai ter que bastar.

O acaso lhes deseja uma boa noite. Ou o contrário.

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§ 7 Responses to Nas noites das Macumbas das Bahias, os Atabaques soam como Clarins de Guerra.

  • vips says:

    Já é algo considerável notar a nossa “pequenez” e talvez isso já seja algo de bom…

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    • Anarcoplayba says:

      Sou pequeno… mas trago em mim todos os sonhos e ambições do mundo. E não é isso o bonito dos sonhos, da ficção e da mentira? São nossas únicas liberdades.

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      • Bruna says:

        ” Nós somos o tamanho dos nossos sonhos” Nit.

        O problema é quando todos eles ficam no mundo das idéias. Devemos forçá-los a acontecer, ou pelo menos tentar.

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      • Anarcoplayba says:

        Fato… Mas o Gaiman tem umas passagens bos sobre isso… Antes de se mudar o mundo, vc precisa sonhar um mundo diferente… aí, se pessoas o suficiente sonharem com isso, talvez consigamos mudar a realidade…

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      • Bruna says:

        Mas o mundo muda o tempo todo; nós é que não percebemos e nos mantemos engessados.
        Aceite o mundo do jeito que vier. E Viva com toda intensidade.

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  • Karina says:

    acaso… “s” atrasado para ser caos… =) e vogal trocada para ser fim!

    só o porteiro recebeu bom dia?

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