Espírito Olímpico.

July 31, 2012 § 8 Comments

Durante a faculdade, eu era meio que um atleta.

Contanto que a definição de atleta seja jogar rugby, lutar karatê, capitanear a equipe de xadrez e cair de ressaca na piscina pro pólo aquático porque ninguém mais queria jogar pólo aquático no winterusp.

Dentre as inimizades que eu acabei fazendo (é um risco quando você não modula muito os sentimentos) eu destaco a Bateria.

Objetivamente sempre me incomodou pessoas tentarem puxar a sardinha para si e falar que “a torcida ganha o jogo” quando, well, tem gente rompendo ligamentos entre quatro linhas de cal.

Durante essa época (que me dá certa saudades) as rotinas de treino eram engraçadas. Desde treino das 22:00 às 24:00 de rugby terça e quinta, a treino de xadrez das 10:00 às 12:00 de sábado.

Quem acordava no sábado pra treinar xadrez pós balada? Aparentemente eu. Obviamente, isso é algo meio idiota, mas na prática, esporte é algo meio idiota.

Isso porque você passa meses treinando e negligenciando uma porrada de aspectos da sua vida com um objetivo: vencer um adversário em uma competição de algumas horas.

Você passa frio, fome, sede, dor, cansaço, mais dor, mais cansaço e mais fome pra, dali a alguns meses ganhar ou perder. Ou perder com um ligamento rompido, ou uma retina descolada, que vai te impedir de praticar qualquer outro esporte na vida e isso não faz sentido at all.

O fato é que a gente não entende porque não tem tamanho pra entender.

Uma ex-namorada que era professora de Educação Física comentava algo a respeito do fisiculturismo que vale para todos os esportes praticados com seriedade: é algo que atrapalha muito a sua vida. Você vai passar fome, ficar de mal humor, colocar sua vida em função de uma agenda que envolve comer batata doce e peito de frango a cada três horas e exercícios diários pra no fim ganhar ou perder. E ainda por cima ouvir se você tem ou não pêlos a mais embaixo do braço.

Isso se você não tomar anabolizantes. Se tomar, corre o risco de um tumor no fígado ou nos rins. E por aí vai.

Na antiguidade clássica, os vencedores dos jogos olímpicos eram alçados ao Olimpo, merecendo o direito de conviver com as divindades. Faz todo o sentido do mundo, porque os humanos não possuem condição de conviver com eles.

Mortais não entendem que até vale à pena morrer cedo se você viver rápido. Especialmente se você for o homem mais veloz do mundo.

Mortais não entendem que vale à pena amputar um dedo pra tentar uma vaga na seleção neo-zelandesa de Rugby.

A Cris Cyborg nocauteia a Gina Carano. Quem ganha mais? A mais gostosa.

Qual a atleta de Tênis mais bem paga? A mais gostosa e bem colocada (porque não basta ser boa, tem que ser gostosa – pelo menos não basta ser só gostosa no esporte).

Um amigo meu fez uma excelente distinção entre Júpiter e Marte. Júpiter é o Rei sentado em seu Trono. Ele tem o tempo e o direito de avaliar toda a situação e dar a decisão mais sábia. Marte é o Rei em seu Carro. Ele atravessa os obstáculos.

Se o preço de ser alçado à divindade é ignorar os pêlos na axila, so be it. É um ingresso barato pro Camarote Olímpico.

Advertisements

§ 8 Responses to Espírito Olímpico.

  • Lívia Ludovico says:

    Hj, Londres 2012 viu dois embates incríveis entre atletas que entrarão para a história destas Olimpíadas não por suas vitórias, mas por suas derrotas. O primeiro foi na final da esgrima e o segundo na semifinal do judô. Em ambos, a definição foi subjetiva, pois houve empate por pontos, ou seja, anos de treino foram definidos por critérios que estão além da competência. Tá ligado nisso?

    É claro que um atleta quer ver seu esforço recompensado no final. E ficou claro que um momento define muitas coisas, mas não define tudo.

    Quando o judoca americano desabou diante do alemão, quem saiu aplaudido de pé foi ele, e não o vencedor. A imagem desoladora da sul-coreana foi comovente, mas é, sobretudo, simbólica.

    O primeiro aprendeu que é possível ser grande na derrota e a segunda entendeu que não se pode baixar guarda nem por um bilhonéssimo de segundo!

    Eles não ganharam o Olimpo, mané. Eles fizeram história! ;)

    Like

    • vips says:

      até me comoveu… mas se eu tivesse lá daria uns tapas na sul coreana e diria : “Levanta dai e pensa que ela é uma norte coreana!” … Dúvido que ela continuaria a chorar…

      Like

    • Anarcoplayba says:

      Prefiro pensar neles bebendo ambrosia e com musas cantando ao seu redor. E acho que deveria ter uma musa para a massagem. Se não existe, deveria.

      Like

      • Lívia Ludovico says:

        É Anarco… e me vem aquela estranha sensação de que vcs sempre ganham… O fato é q durante uma sessão depilatória é muito difícil não pensar que a vida é pra lá de injusta, apesar de suas compensações! =)

        Sim, tive um dia duríssimo!

        Like

      • Anarcoplayba says:

        Lembre-se que as Deusas tbm escolhiam seus favoritos… Apesar de serem uns favoritos meio viadinhos e que sempre se fodiam.

        Like

      • Lívia Ludovico says:

        Malditos tico e teco!

        Maldita dança dos hormônios!

        Maldita pá de cal, 1000 vezes maldita!

        Like

  • Lívia Ludovico says:

    Acho que o bilhonésimo de segundo foi exagerado… =)

    ;)

    Like

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

What’s this?

You are currently reading Espírito Olímpico. at AnarcoBlog.

meta

%d bloggers like this: