Magnólia.

August 13, 2012 § 31 Comments

Depois de um tempo não desprezível, consegui resolver uma falha de caráter minha e assistir “Magnólia” (o que me custou horas de sono em uma noite, mas valeu à pena).

***

Não dá para assistir Magnólia e não fazer uma imediata associação com “CRASH“, só que ao contrário.

Crash veio depois de Magnólia, então pode ou não ter sido influenciado por ele.

Ambos os filmes retratam diversos personagens, aparentemente distantes entre si, mas que se unem por laços mais ou menos soltos de destino e se encontram, até certo ponto, em rota de colisão.

***

Se Crash retrata a América pós-11.09, com sua paranóia racial, Magnólia faz uma abordagem psicopatológica dos personagens.

Cada um, em sua loucura e doença, se mostra uma face de uma jóia lapidada de doença humana: o policial alheio à própria vida se refugiando em uma religiosidade morta, o gênio fracassado, o filho abandonado, o pai abandonante, a gostosa interesseira e tantos outros que entre o rancor e o remorso destilam sua insignificância humana.

***

Só que “insignificância humana” é um oxímoro.

Cada personagem, por mais doentio e disfuncional que pareça, carrega em si todo o potencial pra essa coisa bonita que deixam os deuses com inveja: superação.

Okey, a superação nem sempre vem, mas sua potencialidade faz do mundo um lugar mais belo.

***

Um dos meus personagens favoritos, interpretado pelo Tom Cruise em um dos seus poucos papéis belos (soma-se a “Magnólia” “Colateral” e “Vanilla Sky”), é o Frank Mackey, guru de auto-ajuda que se dedica a ensinar homens a conquistar mulheres e que guarda em si enorme rancor do Pai que abandonou sua mãe que estava com Câncer.

Frank nunca perdoou o pai por tê-lo abandonado com a mãe e, inferimos, usou esse ódio como drive force para viver, o que não é sem precedentes no cinema. O Dark Side do Universo Star Wars, em um resumo empobrecido é exatamente isso: let your anger guide you.

E isso funciona.

***

Porém, se em Star Wars aqueles que caminham pelo Dark Side carregam na pele o preço de se deixar guiar pelo ódio (na forma de envelhecimento, distorções no olhar e mais dezenas de “sintomas”), em Magnólia Frank não passa muito longe disso, embora as marcas sejam mais sutis.

Não estamos falando de uma pupila manchada, ou de uma pele cadavérica… mas uma personalidade agressiva. Se o Dark Side ofende ao nosso senso de estética, o Rancor ofende nossas emoções.

***

E o que mais me revolta é que tanto faz as razões que os personagens têm para odiar.

Você pode estar “com o nariz escorrendo razão” e ainda assim o Dark Side cobra seu preço.

Como disse Brecht, o ódio contra a baixeza também endurece o rosto, a cólera contra a injustiça também enrouquece a voz.

***

O que eu acho a respeito disso?

Penso que se perguntassem pra Prometheus se ele teria feito o que fez se soubesse o que lhe aconteceria depois, teríamos uma medida exata de seu caráter.

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§ 31 Responses to Magnólia.

  • Lívia Ludovico says:

    Esse texto tá muito difícil… não vi os filmes citados… não entendi por que o rancor ofende nossas emoções… tá brabo…

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  • Fy says:

    não entendi por que o rancor ofende nossas emoções… tá brabo…

    – Nem eu …

    bj

    Fy

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  • Anarcoplayba says:

    Se a Fy tivesse respondido na Lívia, dava pra responder pra todo mundo… Primeiro, os filmes são excelentes…

    Segundo, o rancor tal qual retratado no filme, dói. Machuca, corrói… Não é bonito de se ver, nem faz bem para os protagonistas…

    Inclusive me lembrou “O Corvo”: o perdão é mais para quem perdoa do que para quem é perdoado…

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    • Lívia Ludovico says:

      E não é isso q o rancor faz (independente de como ele é retratado por qualquer autor)?

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      • Anarcoplayba says:

        Aí depende muito dos olhos de quem vê, né, Petite? Pra Brecht sim. Pro diretor de Magnólia sim. Eu arriscaria dizer que sim.

        But then again: se Prometeu é uma boa metáfora, eu gosto de pensar que era um alívio, enquanto seu fígado era corroído, pensar que todo aquele sofrimento era por um bem maior. Um bem que talvez justifique flertar com as punições dos deuses… ou com o Rancor.

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      • Lívia Ludovico says:

        Vc é muito sádico!

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    • vips says:

      Isso me fez lembrar de quando uma certa pessoa me disse que me perdoava e eu virei e disse : – “Mas nem eu me perdoei ainda! Como é que vc pode ter me perdoado ?”

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      • Anarcoplayba says:

        Isso é “problema” de quem é mais rígido, Vips… Por um lado é bom, pq vc julga o mundo como se julga… por outro é ruim, pq corre-se o risco de perder muito tempo se martirizando…

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      • Nina says:

        Até pq vips, em cada coração o rancor bate de uma forma diferente. É muito particular, idiossincrático. Acredito que nesse sentido o perdão pode fluir em ritmos diferentes.

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  • Fy says:

    – Hi Lawyer .

    Super filme, sim. Cinesta brilhante – coisa de gênio .

    Mas não entendi mto bem aonde exatamente sua crítica quis me levar .

    Eu entendi Magnólia como um painel de consequências trágicas, porém óbvias, refletindo um Presente gerado por “Passados” dramáticos.

    Qdo vc cita Brecht , pretende insinuar que não devemos sentir rancor ou mesmo horror daquilo que é naturalmente odioso ou horroroso ?

    Well, seríamos baratas . E a Insignificância nos bastaria, sim.

    Nem … baratas seríamos mais …. pense comigo … – estaríamos fadados ao horror , …. suavemente – doucement?

    Ah… nem teríamos mais o cuidado de nos auto-promover ou promover ao outro um tratamento digno, um trato promissor . Seríamos indiferentes … apenas …

    Mais ou menos como aquele tal de amor-incondicional…. tão absurdo qto impossível , próprio dos alienadamente “iluminados “ : os que estão por “lá”… ou atingiram a abóboda dos … abobados.

    Perdoar ? – ou superar ?

    Um golinho de Castañeda:

    “We either make ourselves miserable, or we make ourselves strong. The amount of work is the same.”

    Eu acho meio miserável, perdoar o imperdoavel. It must cause ulcers because it is artificial and deceitful.

    Concordo que procuremos uma forma de não nos deixar destruir , nem pelo ódio e nem pelo tal amor-incondicional . Mas deixar de reagir ou de estar suscetíveis ao que é declaradamente horrível ou revoltante …. é robotizar ou alienar .

    “ – Como disse Brecht, o ódio contra a baixeza também endurece o rosto, a cólera contra a injustiça também enrouquece a voz. –“

    Eu penso que Roucos ou não, que nossos gritos de revolta ou de repudio possam destruir e fazer frente a tudo o que está errado, a tudo que ofenda nossa dignidade como seres humanos. Calar … é, no mínimo… terrível .

    Contrapondo Brecht com a obviedade que tornou Freud … tão importante … :

    – Unexpressed emotions will never die . They are buried alive and will come forth later in uglier ways .

    – ou :

    We could be much better if we did not wanted to be so “ good ” ! — Sigmund Freud .

    Algo assim como sermos verdadeiros e sensatos para com a nossa verdade.

    Bj
    Fy

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    • Anarcoplayba says:

      “Qdo vc cita Brecht , pretende insinuar que não devemos sentir rancor ou mesmo horror daquilo que é naturalmente odioso ou horroroso ?”

      No, no, no, no, no… Sentir não admite “dever”. Quando cito Brecht, afirmo que o ódio, a cólera e o rancor têm um preço. Trazem consequências.

      E quando cito Prometeu, afirmo que esse preço pode valer à pena ser pago.

      ***

      Não entrou no post, mas Ruy Barbosa afirmou, n’A Oração dos Moços que a ira contra a baixeza não é pecado, mas virtude.

      ***

      Pessoalmente, é isso mesmo: como usar essa energia sem se eletrocutar? Como deixar de chamar Marte de “o Pequeno Maléfico”?

      ***

      E repito: sentimento não admite dever no futuro do subjuntivo: “Eu deveria sentir” normalmente é um erro não de sentir, mas de auto-compreensão.

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  • E as vezes chovem sapos

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  • Bruna says:

    Acredito que ódio pode ser sim transformador. Não acredito que o ódio tenha como única consequência a destruição. Acho que um dos piores sentimentos é o ressentimento que te paralisa,

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    • Anarcoplayba says:

      Que funciona, funciona! Acho que todo mundo concorda…

      O que eu não sei se todo mundo concorda é que tem um preço…

      E o que eu acho é que muitas vezes o preço compensa.

      ;)

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      • Lívia Ludovico says:

        Outro dia, vi uma definição bem bacana sobre o ódio que dizia que ele é o Eros vendado. Achei tão lindo… O ódio é Eros vendado, ou seja, o ódio ainda é amor. Só que vendado. E vc vai me dizer: “Lá vem a Petite com sua cabecinha ocidental…”

        Ei-la:

        Os gregos tinham uma palavra para a desmedida: hybris. Hybris tem várias traduções: ódio, cólera, paixão… O que, basicamente, explica, pelo menos pra mim, frases do tipo: “Fiquei cega de raiva”, “Tô cega de ódio” ou “Tão apaixonada que não vi o óbvio”… Mas a tradução q eu mais gosto para hybris é: cegueira.

        Hybris era um sentimento indesejável numa cultura que buscava o equilíbrio a todo custo como a sociedade grega. Um ideal a ser buscado, perseguido, idolatrado: o equilíbrio dado pelo q é bom e belo. Era quase uma obsessão grega!.

        Por isso hybris passou a ser sinônimo de destempero, loucura, doença. Um indivíduo acometido pela hybris era um ser sem o poder de sua razão. Cego. Perdido em suas emoções. Dominado por elas.

        Vc diz que o ódio funciona… Q o ódio guia… Ora, Anarco, o ódio não pode guiar, porque o ódio é cegueira, ou, como aquela definição bonita lá de cima: o ódio é venda nos olhos. O ódio, portanto, não é um bom guia das emoções, nem das ações.

        Admito q, nesse contexto, seja complicado encaixar o Star Wars, porque este filme é uma colagem de várias filosofias reunidas… Ok, parte do treinamento jedi do filme é vendado. Ocorre q ele não é sobre a busca da força, mas sobre sua percepção (interior). E, pra mim, o q mais pegano filme é isso: as lutas internas =) Aquilo q o Vips falou lá em cima sobre perdão e o auto perdão…

        Mas só busca a força quem não a possui. Logo, num estrato mais sutil, Star Wars não é sobre a busca da força interior, mas sobre a percepção da fragilidade.

        O treinamento jedi é sobre percepção e controle. Concorda? ( a gente ouve o Anderson Silva falar e pensa: Esse cara não tem ódio no coração… =) E o ódio é o contrário disso tudo, mané. O ódio, quando vem, toma conta. Domina… Ocorre q o domínio que vem da força do ódio é temporal. É por isso que déspotas caem. Tiranos passam.

        O ódio não resiste ao tempo. Mais que isso, o tempo inverte sua força.

        Repara só… ;)

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      • Anarcoplayba says:

        Ah, Petite… A Leitura fala mais sobre quem lê do que sobre o lido… Hybris não é ódio, não é cólera, não é paixão… é Desmedida. E, nesse sentido, o problema não é o ódio, é a desmedida no odiar, não é a felicidade, é a felicidade desmedida.

        Os Gregos eram fanáticos por esse equilíbrio, mas sabiam valorizar os temperos. E eu afirmo isso com uma citação:

        Canta-me, ó deusa, do Peleio Aquiles
        A ira tenaz, que, lutuosa aos Gregos,
        Verdes no Orço lançou mil fortes almas,
        Corpos de heróis a cães e abutres pasto:
        Lei foi de Jove, em rixa ao discordarem
        O de homens chefe e o Mírmidon divino.

        A Ira de Aquiles.

        A Ira de Aquiles ao ser desrespeitado por seu Rei, que colocou a mão na espada mas foi “segurado pelos cabelos por Athena”, que matou o assassino de seu namorado (COME ON!) e arrastou seu corpo pelos campos… a IRA alçou Aquiles à eternidade (afinal, ainda hoje o cantamos).

        Ou ainda Ulisses, ao ver sua casa sendo profanada que diz a si mesmo “Calma, coração… Calma… Tudo isso será resolvido.”

        Agora você me diz: estamos falando de ira, não de ódio. Ora, Petite! Não discutamos semântica!

        O Ódio, quando bem aplicado se torna virtude, embora ainda carregue um preço. O Ódio desmedido é Hybris (que o diga Medéia).

        ***

        Quanto aos Jedis, tem um probleminha no seu argumento, que eu posso apontar porque eu sou um Paulista nerd, não um Carioca Dexcolado: Não estou falando de Jedis, estou falando de Siths.

        Os Jedis treinam de venda nos olhos porque o objetivo do Jedi é deixar a Força fluir por si. Usando o termo que a Fy tem cataporas ao ouvir “suprimir o ego”.

        O Jedi não deixa SUAS percepções o controlarem, ele deixa a força fluir e age de acordo. Quer um exemplo?

        Qui Gonn se mantém calmo e sereno para permitir que a Força flua por si. Darth Maul é IRA. ÓDIO.

        E isso aparece em diveeeeeeersas partes dos filmes: Os Jedis são treinados para não controlar, mas para fluir. Em uma HQ, falam que “Não se interrompe a queda, mas se conduz”, em outra dizem “não pense, reaja”, no primeiro o Luke desliga o computador de mira, mas “deixa a Força o Guiar”.

        Nos dizeres da Fy, os Jedis estão próximos de serem nabos.

        Agora, ainda a respeito de Star Wars, a minha leitura é um pouco mais específica… O VERDADEIRO Poder só é alcançado pelo maior de todos os Jedis. Luke Skywalker. Por quê? Porque ele é o único a ser completo: domina a Força E o Lado Negro.

        Ele é Equilibrado sem ser morno. É como comer um doce tomando café. Você sente integralmente o doce… e integralmente o Amargo.

        Por isso que eu falo que equilíbrio não é ser mediano. Medíocre. É ser Inteiro nas Partes.

        ***

        Então, em resumo… a Ira funciona… mas é perigosa. Tanto que os gregos tinham uma relação de respeito e medo com Ares…

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      • Lívia Ludovico says:

        Quem manda eu ser carioca e gostar de praia? Dá nisso! ^^ Mas o que levou Aquiles à eternidade não foi a Ira, mané. Foi o Daimon. O destino.

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      • Anarcoplayba says:

        Nada. Foi a vaidade. Sua mãe disse que se ele ficasse, ele envelheceria e teria família, mas se fosse, morreria e todos cantariam ele para sempre.

        Ele preferiu a ser cantado.

        De mais a mais, ainda que realmente fosse o destino dele… O que cantamos ainda hoje, inspirados pelas musas, é a Ira de Aquiles, o Pelida. ;)

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      • Lívia Ludovico says:

        Se eu fosse sua professora de Teoria da Literatura, te dava um pau bonito!

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      • Anarcoplayba says:

        Se vc tivesse tido aula de Clássicos comigo, eu é que te dava um pau bonito.

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      • Lívia Ludovico says:

        Com toda certeza do mundo!

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  • Fy says:

    Mas só busca a força quem não a possui.

    Super frase Lívia.

    Eu acho que o que mais se lê hoje em dia é sobre “busca” . Explicando: “busca interior “ . E a ênfase é tão desmedida , pq rentável, que se tornou tão obssessiva quanto clichê.

    Força, como qualquer outro atributo físico ou emocional só se torna conhecida ou desenvolvida à medida que utilizada. Eu penso que “toda” Força é interior, claro, mas me é óbvio que sua intensidade só é percebida ou desenvolvida quando o ser está aberto e suscetível às solicitações e estímulos da Vida. Isto , é o que torna esta busca possível, passível de resultados reais ou mesmo real, a meu ver.

    O ensaio q vc colocou, é muito bom, mas eu trocaria a palavra Ódio, no mesmo ensaio, por Maldade. Aqui pra mim, o autor confundiu as bolas.

    Um exemplinho pra lá de Godwin, óbviozinho mas sempre efetivo , é a viagem nazista . O desequilíbrio de Hitler pode ser explicado tanto pelo Amor patológico pelo poder, pureza, força, e outros ideais suprahumanos de perfeição a verificar no seu esquizo Main Kampf , quanto pelo Ódio a tudo e todos que os pudessem contaminar .

    E todos sabemos, que tanto o Amor como o Ódio, ou qualquer outra emoção humana , quando deixam de ser saudáveis, ou naturais, viajam tanto nas pequenas quanto nas horríveis maldades.

    Eu fico com o comentário da Bruna . Pequeninho como eu não consigo, mas super sintetizado.

    O Ressentimento nada mais é que um filhote do Ódio mesquinho. O ódio ou a Indignação que tem medo de se manifestar saudavelmente . O Medo, é a obliteração da mente . E, é a razão e a preferência da mesquinheza.

    Ah… seus frutos ou manifestações são sempre reptilianas, perigosas e, no caso, como referência às observações de vcs sobre o tal “perdão”, este sim : – O Ressentimento tem um efeito ambivalente : corrói tanto a vítima qto o mesquinho portador.

    Bj
    Fy

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    • Lívia Ludovico says:

      Também gostei da fala da Bruna, Fy! E não vim nele por acaso ;)

      A palavra ressentimento é interessante. Porque ressentimento é sentir de novo. Não é engraçado que a gente use, geralmente, essa palavra para sentimentos como ódio, rancor, mágoa?

      O ressentimento paralisa sim. A gente fica replicando, sentindo de novo, de novo, de novo.

      Quanto tempo gasto…

      É por isso q, pra mim, é difícil, pensar na positividade do ódio, com o Anarco, a Nina e vc colocaram…

      Mas eu estou tentando… =)

      ;)

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      • Nina says:

        Fiquei pensando aqui… Sempre afirmei que a raiva possa criar um movimento positivo, mesmo aos tropeços.. As vezes é um starpoint funcional, principalmente quando se está apático, passivo, deixando o mundo subir em suas costas… Esse seria o lado “positivo” dessa emoção.
        Porém, a definição da Hybris que Lívia trouxe é fantàstica… gostei MTO desse símbolo, Eros com uma venda… o que me traz uma tela azul da morte em meu cérebro, pois afinal, a raiva pode ser um starpoint ou cega de vez?
        Bem…. mas aqui estaria usando raiva e ódio como sinonimos… Será que são? Será que uma característica quantitativa (o ódio é mais intenso do que uma raiva, que é tiquin mais intensa que uma irritação) não pode acabar mudando/moldando a própria estrutura (a questao qualitativa) da emoção? Não ganharia o ódio proporções estruturais diferentes?
        Não sei.
        Se a raiva ganha características de distorçāo assim como o ódio – o que me parece mais coerente (droga! rsrs), talvez possa entender que possa haver graus de “cegueira”.

        E aqui chego ao ponto de perceber que de certa forma, toda emoção (tal qual como conhecemos) são formas de distorcer a realidade…. por serem por demais dependentes do nosso aparato cognitivo, das nossas crenças, dos nossos condicionamentos enblablabla..

        Talvez um bom – e quiçá – único guia – está naquele Sentir pré-mental (usando terminologia Anárquica).

        E o que me vem, dessa reflexão, é a ideia de harmonia.

        O que fode com minha ideia de considerar as orientacoes advindas da ira. Não que não possa haver alguma sabedoria relativa, não que ela não possa te tirar de uma letargia, mas até aí ser considerada como guia….não dá.

        Meninas, vcs não tem noção de como esse pequeno “mindfuck” aqui (que eu apenas compartilhei) me ajuda e amplia minha percepção em vários aspectos. Many tks!

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    • Anarcoplayba says:

      Isso me lembra o monólogozinho sobre Poder que eu adoro, Fy: “Poder traz Poder. E Poder pode assumir as mais variadas formas. Nesse exato instante, Poder é ter um bônus +8 pra Listen Checks.”

      (Perdoe a falta de paráfrases).

      E Sim, o medo é a pequena morte que te paralisa. Prometo que vou ler!

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  • Fy says:

    E isso aparece em diveeeeeeersas partes dos filmes:

    Os Jedis são treinados para não controlar, mas para fluir. Em uma HQ, falam que “Não se interrompe a queda, mas se conduz”, em outra dizem “não pense, reaja”, no primeiro o Luke desliga o computador de mira, mas “deixa a Força o Guiar”.

    Nos dizeres da Fy, os Jedis estão próximos de serem nabos.

    Hey Man : eu não disse nada disso : ao contrário ….

    Adorei seu comment sobre a hybris .

    Depois eu volto.

    bjs

    Fy

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    • Anarcoplayba says:

      Sorry! Fiz uma extravasação! Vc nunca disse que Jedis são nabos ou coisa que o valha… Eu peguei os seus comentários sobre essa fixação de “matar o ego”, suprimir o desejo, etc, e apliquei pros Jedis…

      Me vem à cabeça o comentário do Yoda quando o Anakin fala que está com medo de que a Padmé morra. O Yoda vira e fala “você tem que aprender a deixar morrer”. Ou coisa do gênero.

      Em outro momento, o Anakin diz que “os Jedis são treinados para amar a todas as coisas de forma igual.”

      E por aí vai.

      Like

  • Fy says:

    Ok : – go on :

    Explicando : Emoções não são inteligentes . Nós somos inteligentes .

    Amor, Ódio e outros nomes com os quais caracterizamos emoções…. não definem em absoluto, a qualidade das mesmas, ou a intensidade ou ainda a forma como as administramos .

    Nossa inteligência, incluindo nosso discernimento, nossos contornos físicos e sociais , sim, o fazem – e mts vzs, infelizmente, os deformando .

    Explicando minha observação sobre a Hybris :

    – No direito grego, a húbris refere-se com maior frequência à violência ébria dos poderosos para os débeis. Na poesia e a mitologia, o término foi aplicado àqueles indivíduos que se consideram iguais ou superiores aos deuses. A húbris era com frequência o ‘trágico erro’ ou hamartia das personagens dos dramas gregos. –

    – Contudo, o homem que comete húbris é culpável de desejar mais daquilo que lhe foi concedido pelo destino. – então … chega a ser infantil … de tão tendenciosomaente político …. –
    A húbris é um tema comum na mitologia, as tragédias gregas e o pensamento pré-socrático, cujas histórias incluíam com frequência protagonistas que sofriam de húbris e como consequência da sua transgressão eram castigados pelos deuses .-

    – A concepção da húbris como infração determina a moral grega como uma moral da mesura, a moderação e a sobriedade, ou melhor : de Controle , obedecendo o provérbio pan metron, que significa literalmente ‘à medida de todas as coisas’, ou melhor ainda ‘nunca demais’ ou ‘sempre bem’. O homem deve continuar sendo consciente do seu lugar no universo, é dizer, ao mesmo tempo da sua posição social numa sociedade hierarquizada e da sua mortalidade ante os imortais deuses.-

    Ou seja : nestes termos, aliás os que mais se encaixam no conceito de Harmonia : a tal da Hybris nada mais é que uma madre superiora amarga que tem a missão nefasta de igualar, manter e limitar a capacidade do ser-humano. E óbviamente cegar Eros . Amarrá-lo e definhá-lo , garantindo “ Harmonia “.

    Neste sentido um bom exemplo é desfrutar da terrível – a meu ver – visão das crianças harmonizadas e cor de abóbora num monastério budista.

    A relação da Hybris com excessos emocionais é mto bem explicada no ex que o Anarco ofereceu qdo colocou Prometheu . E ainda assim tem uma explicação meio duvidosa….

    Alguns defendem-na como excesso de entusiasmo projetado por uma ambição “desmedida” , o que tb é meio falacioso …, e outros por uma falha na execução de um grande plano, por simples : ig-no-rân-cia sobre algum fator importante para o êxito do mesmo. Para consulta lê-se : Hamartía .

    E sobre Harmonia, ah… também é um assunto discutível ….

    Bons argumentos aqui :

    http://windmillsbyfy.wordpress.com/2011/05/06/dont-fuck-eros/

    bjs
    Fy

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  • Nina says:

    Good points! And tips! Tks! Agora é momento de processar informações! ;-)

    Like

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