Espelhos.

January 3, 2013 § Leave a comment

Todo mundo sabe que ao tentar ler uma palavra posta diante do espelho, essa palavra se inverte. Por isso ambulâncias têm a palavra “ambulância” escrita invertida na sua frente: para que possamos lê-la tranquilamente pelo retrovisor.

No entanto, gostaria de saber, por que não nos perguntamos a razão de não haver uma inversão no eixo vertical, isso é, de ponta cabeça?

Por que os espelhos gostam tanto do eixo horizontal?

Longe de ser uma pergunta tosca, ela foi debatida por Platão, e algum físico do começo do século passado usava essa questão para zoar seus alunos na faculdade.

Confesso que a resposta não é tão complicada. No entanto, não é sobre respostas, é sobre perguntas.

Percebam: não estou falando de algo teórico e abstrato. Não é sobre a constante de Planck nem a Teoria das Supercordas. É um fato que você vivencia uma dezena de vezes por dia e que, provavelmente, nunca se questionou.

Pelo menos eu nunca tinha me questionado.

Obviamente, o motivo pelo qual nunca nos questionamos a esse respeito pode ser a mesma explicação pela qual nosso polegar consegue encobrir a lua cheia. Perspectiva: o Polegar é MEU, se ele for cortado vai me fazer muito mais falta que um pedaço de rocha no céu.

Mas também é possível que a gente não se questione muito a respeito do mundo ao nosso redor.

É o problema de se contentar com as respostas mais próximas e as mais confortáveis. Sob certos aspectos, somos maquininhas de otimização. Criamos padrões para evitarmos desgaste de energia.

A Lei da Gravidade diz que massa atrai massa na razão direta das massas e na razão inversa do quadrado das distâncias. Questão resolvida. Move on.

Move on até precisar mudar a explicação: a Gravidade distorce o Espaço-Tempo. Muito mais complicado. Mas explica melhor.

Tem gente que fala que o magnetismo é uma força que atua em uma das 12 dimensões que não conhecemos.

Uma vez me disseram que um pouco de conhecimento é pior que nenhum. Queria que tivessem me ensinado a medir conhecimento.

Dizem que a gente encontra as coisas no último lugar em que procura porque quando encontramos, paramos de procurar. Vale o mesmo para as respostas.

Sim, é loucura continuar procurando os óculos depois de encontrar. Talvez seja loucura procurar mais de uma forma de resolver uma equação de segundo grau. Mas não se contentar com a primeira resposta é uma ótima política pra vida e uma resolução de ano novo extremamente interessante.

Talvez nem a segunda resposta seja boa o suficiente.

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