Harley Davidson.

February 20, 2013 § 16 Comments

Kajeesh Rajal estava em seu laboratório trabalhando até mais tarde novamente.

Não que “mais tarde” fosse algo relevante naquela noite ou em qualquer outra. “Mais tarde”, na verdade, seria apenas uma exceção se comparado aos demais professores do departamento. Kajeesh não era uma exceção em hábito, apenas uma exceção em intensidade. Muitos trabalhavam até muito mais tarde. Muitos trabalhavam até mais tarde com frequência. Poucos trabalhavam até muito mais tarde com frequência.

Kajeesh estava entretido em seu estudo, adiantando o trabalho do dia seguinte. Não que mais esforço pudesse fazer com que sua pesquisa terminasse mais cedo. Isso não ocorreria: precisava que os dados fossem coletados em um intervalo de tempo preciso. Por isso não tinha pressa. Sabia que  Murtington ganharia o Nobel daquele ano, se não tivesse mais uma crise de solidão e procurasse a ex-esposa novamente. Se isso ocorresse sua pesquisa se atrasaria em 17 semanas e ele só ganharia o Nobel no próximo ano, o que era o plano de Kajeesh.

Se Murtington se desesperasse, Kajeesh esperaria mais um ano. O pobre diabo precisa de algum sonho se realizando na vida dele, afinal.

Enquanto aguardava que seu computador vetorizasse todos os dados coletados Kajeesh aproveitava para reavaliar seus apontamentos teóricos na parede pintada de quadro negro de seu laboratório, uma pequena excentricidade feita sete anos atrás que reduziria suas promoções dentro do departamento em cerca de 20%. Valera cada centavo.

Sem se desconcentrar, Kajeesh ouvia passos de salto alto feminino no corredor, algo que lhe causara uma curiosidade saudável. Ninguém usando um salto que fazia aquele barulho ficaria até aquela hora. Ninguém a não ser alguém muito desesperado para ser notado e demonstrar trabalho. Deveria ser a menina nova, assistente de Murtington.

À medida em que os passos se aproximavam de sua porta a curiosidade a respeito da dona dos passos foi substituída pela curiosidade a respeito das razões de sua aproximação. Era praticamente óbvio que ela iria até aquele setor do laboratório. Batidas soaram à porta. “Entre”, disse Kajeesh.

– Com licença. – disse a jovem assistente à medida que entrava, um salto vermelho maior do que o recomendado para a função de assistente de um professor de renome, mas que talvez fizesse o pobre Murtington esquecer a ex-esposa e se dedicar à sua pesquisa, pensou Kajeesh.

– Por favor, tenha a bondade. – respondeu Kajeesh à medida em que se virava e reconhecia uma das velhas caixas do arquivo morto – Em que posso ajudá-la Senhora…?

– Mariana. E por favor, sem o Senhora, Professor Rajal.

– Então pode me chamar de Kajeesh – disse enquanto largava o giz sobre a mesa e limpava os óculos redondos e de armação fina – posso ajudá-la em algo?

– Sim, pode… quer dizer, eu acho. Dr. Murtington pediu que eu localizasse no arquivo morto suas pastas sobre suas velhas pesquisas a respeito de pseudo-cristais e…

– Ah sim, assunto fascinante. Achei mesmo que ele procuraria reativar tal pesquisa após a descoberta dos cristais não isomórficos. Se me permite uma indiscrição, acredito que ele deveria manter o foco em sua pesquisa de cristalização de isótopos radioativos. Me parece mais inovador e promissor que uma velha e despicienda teoria adolescente, ainda que muito curiosa. Você deverá encontrar tais pastas no balcão 17.

– Sim, sim… Balcão 17, armário 23. Deus sabe como aquilo está velho e empoeirado.

– Presumo que já as localizou, portanto. Há mais alguma coisa na qual eu deveria ajudá-la?

– Sim, há… Quer dizer, acho. Não sei bem ao certo.

– Perdão?

– É que… Bem, eu tive que passar por muitos armários antes de localizar a caixa correta. E antes de localizar a caixa correta eu passeei por diversas caixas, balcões e estantes… A Arquivista naquela época era um pouco desleixada e…

– Sim, sim, me lembro muito bem da Senhora Esteves. E?

– E eu encontrei encontrei uma pasta com um nome curioso. Projeto “Harley Davidson”.

– Ah. – Kajeesh levantou um pouco as sombrancelha, num breve franzir de cenho  – Imagino que você ficou horas lendo minhas velhas anotações, se atrasou com suas responsabilidades e veio aqui discutir comigo algum ponto que considerou revolucionário ou por demais complexo?

– Ambos. Não entendi, ao certo, nem metade das demonstrações teóricas. As aplicações práticas, então, me pareceram ininteligíveis. Mas…

– Mas?

– Eu vi referências… Ou sugestões, não sei… A um… um…

– Moto-Perpétuo? – Perguntou Rajeesh com certo enfado.

– Então é verdade? – Mariana dilatou o olhar, incrédula.

Heh. Mais ou menos. Para todos os fins teóricos, não. Harley Davidson foi uma brincadeira adolescente sobre a “Motocicleta Eterna”.

– Mas para fins práticos…

– Para fins práticos seria um Moto-Perpétuo. Pelo menos no sentido de que não haveria nenhuma fonte de energia auxiliar material.

– Mas o Moto-Perpétuo é impossível! Precisaríamos de uma saída de calor que estivesse em Zero Kelvin! Zero absoluto!

– Sim, sim, sim… eu sei. Perceba, eu não disse que era efetivamente um moto-perpétuo. Não para fins teóricos. Na verdade, eu nunca procurei o Moto-Perpétuo. Isso é o equivalente moderno científico de buscar a Pedra Filosofal. Isso foi apenas uma aplicação prática de uma descoberta teórica acidental. Imagino que você tenha estudado sobre as derivações matemáticas das infinitas dimensões possíveis, não?

– Claro.

– Pois bem. Na época, empolgado com a Teoria das Supercordas, estava derivando dimensões distintas. E encontrei diversas. Qualquer um poderia fazer o mesmo. Diversas pessoas fizeram. Salvo engano, é matéria de graduação. Perfumaria para a maioria das pessoas.

– Mas?

– Mas, primeiramente me perdoe se eu a poupar da explicação, mas se você passou horas lendo meus apontamentos e não os entendeu, não os entenderá agora. O resumo de tudo é: descobri uma forma de acessar tais dimensões. Acessar e fazer medições.

– Isso é Formidável! O Senhor deveria ter ganho um Nobel por isso! Por quê não publicou?

– Porque no curso da pesquisa, descobri algo ainda mais interessante: a medição emn dois pontos diferentes gerava uma certa diferença de potencial. E aparentemente as leis da natureza se aplicam à essa outra dimensão também. Heh. Eu quase explodi um laboratório com os experimentos.

– Então… Se tem diferença de potencial…

– Exato: você pode criar dois pontos de acesso e utilizando a diferença de potencial criar movimento. Criando movimento, cria-se energia. Muita energia, por sinal. É o mesmo princípio da utilização de imãs para gerar corrente elétrica, só que ao invés de acessar a dimensão magnética, que será descoberta provavelmente por um pesquisador alemão da Universidade de Bonn, que está no caminho certo mas você nunca deve ter ouvido falar, acessamos o que chamei posteriormente de dimensão Alpha.

– Então além de descobrir uma forma de acesso às dimensões o Senhor ainda descobriu como utilizar isso como forma de energia? Não entendo! Por que você não publicou, Professor? Poderíamos acaber definitivamente com nossa dependência de petróleo ou energia nuclear ou… ou… Qualquer coisa!

– Sim, sim, sim… Eu sei… Sabe… eu sinto saudades dessa emoção que você está sentindo agora…

– Mas se o Senhor sabia utilizar e se sabia as aplicações disso, por que não publicou? Ou patenteou? Isso seria equivalente à descoberta do Fogo!

– Não a culpo por pensar assim. Foi resumidamente o que eu pensei quando percebi as aplicações práticas da descoberta. Ao contrário de você, no entanto, e para o nosso bem, eu fui um pouco mais cauteloso e decidi fazer alguns experimentos. Comecei montanto em casa um gerador simples de energia. Pelos meus cálculos, seria suficiente para manter uma cidade pequena funcionando por alguns anos. Também fiz uma pequena adaptação no carro de minha falecida esposa. queria saber quanto tempo demoraria para que a energia se esgotasse. Para que a diferença de potencial virasse zero. Ou para que houvesse uma flutuação de corrente.

– E…?

– E muito para minha surpresa, a diferença de potencial não variava. O fluxo de energia Alpha era constante em minha casa. E no carro de minha esposa também. Era perfeito.

– Então por que o Senhor não Publicou?!

– Veja bem… a caixa que você trouxe era os arquivos que seriam remetidos à publicação. E eu os teria enviado não fosse pela doença de minha finada esposa. Você deve ter ouvido falar, não?

– Sim… Ela se matou, não? Estava deprimida, correto?

– Sim, sim, correto. Perceba, à medida em que se aproximava da época da publicação, sua condição se agravava. Aos poucos seu quadro depressivo se aprofundava. Fisicamente, estava perfeita. Nem sinal de qualquer alteração. Nem mesmo cerebral, o que fazia com que as drogas ministradas tivessem efeito pífio. Pedi afastamento por seis meses para cuidar dela. Tinha esperança de que poderia salvá-la. A dor… a dor de vê-la daquele jeito. Nada justificaria que eu deixasse ela morrer para colher um Nobel. Na pior das hipóteses, alguém poderia publicar meus trabalhos, caso fossem capazes de encontrar essa caixa e vissem em minha casa que a aplicação prática era possível. Em 7 anos uma equipe dessa Universidade entenderia os cálculos.

– Mas?

– Mas o estado de minha esposa se agravava. Ela não desejava comer. Não desejava beber. Se não fosse por mim, nosso cachorro teria morrido de fome… ou fugido. Eu a levava de médico a médico. “Está tudo ótimo” diziam. “É um problema psicológico” diziam. Mas nada resolvia. Primeiro tiveram que a alimentar. Depois ela se negou a comer de todas as formas. Precisamos colocar fraldas geriátricas nela. Ela não se importava de evacuar em si mesma. Passamos a alimentá-la por sondas. Ela estava quase catatônica.

– E o que aconteceu?

– Um dia eu entrei em seu quarto e ela havia furado repetidamente a própria jugular com a agulha do soro.

– O quê?!

– Sim, chocante. Fico pensando quanta dor ela deve ter sentido antes de morrer. Na prática ela descosturou a própria jugular, rasgando com as unhas a carne após perfurá-la. Mas acho que nem a dor mais importava para ela.

– Sinto muito…

– Sim, eu sei. Eu diria que “eu também”, mas eu não sentia. Estranho, não? Inicialmente eu achei que era uma estratégia de Luto. Pelo menos foi o que meu psicanalista dizia. Mas um dia eu encontrei uma carta dela. Dobrada em uma gaveta. Datada de poucas semanas antes de seu suicídio.

– E o que dizia essa carta?

– Leia você mesma – Disse Kajeesh enquanto abria a carteira e entregava uma folha amarelada cuidadosamente dobrada.

Mariana pegou a carta e abriu, com cuidado para não machucar o papel envelhecido. Dentro, escrito com batom vermelho, em letras quase analfabetas de tão descuidadas estava escrito “Eu não sonho mais”.

“Eu não sonho mais”? O que isso quer dizer?

– Aparentemente quer dizer exatamente o que diz. Ela parou de sonhar. Dizem que todos sonham e minha esposa, especialmente, tinha sonhos muito claros. Imediatamente entendi que tal fato estava associado à sua doença, talvez como causa, talvez como consequência. Mas minha maior surpresa foi verificar as leituras do “Moto-Perpétuo”. Na noite de sua morte houve uma significante flutuação de corrente. Como se o gerador tivesse se desligado dela e depois tivesse se ligado a outra pessoa. Se ligado a mim.

– Como assim?

– Aparentemente a Dimensão Alpha, e esse nome foi intendional e posterior ao falecimento de minha esposa, é a dimensão onde existem os sonhos. Poucos sonhos são criados. A maioria deles são re-sonhados todas as noites. Quando montei em minha casa o reator, ele se harmonizou com uma pessoa aleatória e próxima. Minha esposa. à medida que gerava energia, ia equilibrando a diferença de potencial na dimensão dos sonhos de minha ex-esposa. O que era preto ia se tornando cinza. O que era branco ia se tornando cinza. Todos os opostos iam se equiparando até que a diferença de potencial cessasse. E quando se ligou a mim… meus sonhos também estavam perdendo o contraste.

– Isso… isso é loucura!

– Loucura? Teorizam hoje sobre a dimensão na qual as frequêncais eletromagnéticas atuam. Teorizam que a Gravidade é uma distorção do Espaço-Tempo. Nós utilizamos diariamente ambas as dimensões para criar energia elétrica. Eu só usei uma dimensão desconhecida. A Dimensão dos Sonhos. Por deus… Ptolomeu já usava uma teoria semelhante para explicar a Astrologia.

– E o que… O que o Senhor fez?

– Desliguei a máquina. Desliguei a máquina usando uma marreta de dois quilos e meio. Se tivesse uma maior, teria usado.

– E depois?

– Depois eu voltei a sonhar? Depois eu decidi publicar os resultados? Não e não. Eu diria que “para meu desespero, a pasteurização da Dimensão Alpha é passageira”, mas seriam duas mentiras: não é passageira e eu perdi a capacidade de me desesperar. Também sou incapaz de odiar, amar, sofrer, me jactar, desejar e ojerizar. O mundo é uma grande xerox de xerox de xerox de uma identidade velha para mim.

Mariana permanecia em silêncio. Estaria de queixo caído, não mantivesse os lábios fechados.

– Depois eu queimei os documentos? – Prosseguiu Kajeesh – Como você pode perceber, não. Não tive vontade. Por sorte fui capaz de criar uma programação pessoal para viver. Me apeguei a valores morais arbitrários. Acho que se minha falecida esposa não tivesse ficado tanto tempo ligada à máquina, teria sido capaz de fazer a mesma coisa.

– Então… o que você pretende fazer?

– Nada. Perceba, decidi permanecer um indivíduo útil e mudei minha linha de pesquisa. Essa descoberta… esse invento, releguei à lata do lixo. É inútil. De que adianta um carro se você não deseja sair de casa? Um avião se ninguém deseja viajar? Para que serve o tempero para quem não deseja comida? De que adianta a pornografia para quem não deseja sexo? Para que serve toda a energia potencial do mundo a alguém que não tem sonhos? Por mim, incapaz de ter qualquer desejo sobre o que fazer com essa descoberta, levantei essa matriz no fundo da caixa.

Kajeesh se dirigiu à caixa e retirou um velho gráfico.

– Veja, pelas minhas contas, se esse produto fosse colocado no mercado, obviamente sem o conhecimento dessa externalidade onírico-destrutiva, em cerca de seis meses todos os usuários primários estariam mortos. Mais seis meses os secundários. Acredito que a maior parte das pessoas não se importaria ou não perceberia que estava sacrificando seus sonhos para não ter que gastar mais com gasolina. Em uma perspectiva pessimista, a civilização estaria destruída em 3 anos. Em uma otimista, eu entraria para a história como o pior ser humano já existente. Embora eu não ligasse para a perspectiva otimista, a pessimista seria um risco grande demais. Arquivei o projeto. O mundo não precisa de mais pessoas moendo os sonhos para andar num carro novo.

Mariana permaneceu em um frio e incrédulo silêncio. Era tudo por demais inacreditável… mas batia perfeitamente com toda a história da vida do Dr. Rajal.

– E agora, Senhora Mariana? O que a Senhora pretende fazer depois de saber que pode, com cerca de onze anos de estudo sozinha, ganhar um Nobel e condenar a raça humana?

– Queimar, – disse Mariana mecanicamente – queimar tudo, se o Senhor permitir, Professor.

– Permitir? Eu não me importo.

O alarme do celular de Kajeesh toco, fazendo com que ele o tirasse do bolso.

– Onze e meia – prosseguiu o professor enquanto recolocava o alarme no bolso – preciso ir comer algo e dormir. Senão meu rendimento vai cair vinte e três por cento amanhã. Peço que queime longe daqui esse arquivo, Senhora Mariana. E se me der licença, por favor, vá agora enquanto fecho minha sala.

–  Claro – disse Mariana enquanto pegava a caixa e se dirigia à saída.

– Ah, e Senhora Mariana?

– Sim? – disse Mariana se virando brevemente.

– Tenha bons sonhos.

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§ 16 Responses to Harley Davidson.

  • Anonymous says:

    Cara, muito , muito bom esse texto.

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  • Lívia Ludovico says:

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    • Anarcoplayba says:

      Petite… com certa frequência vc me assusta.

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      • Lívia Ludovico says:

        Ah, mané… sonhos podem ser substituídos; perderem-se nos becos da vida; ficarem em estado latente… Mas tem algo q nunca deveríamos perder: a capacidade de espanto ;)

        Um beijo.

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      • Anarcoplayba says:

        Substituir sonhos, Manoa? Isso é perigosíssimo… é como desistir de uvas verdes que se relembram toda vez que você come uma torrada.

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      • Lívia Ludovico says:

        Eu até quero discordar disso… mas não consigo…

        Bom finde.

        ( Porque há muito tempo não te mandava um bom finde =)

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  • Fy says:

    Hi man.

    Excelente história. Polêmica também . [ e maravilhosa a foto post anterior ! ]

    … outro dia eu enviei um ensaio p/ o Caio Garrido , escritor e diretor da revista Távola , sobre o suicídio, focalizando o direito de assumirmos a posse de nossas vidas qdo elas deixam de corresponder a nós mesmos ou… a nossos sonhos. São duas situações diferentes , às vezes . É bem interessante e bem além desta minha descrição.

    Isto porque , eu considero um grande [ and real ] vivedor, aquele que desconhece fronteiras entre uma coisa e outra, a Vida e os Sonhos. I love this kind of dreamers . Yep … this is not easy, sometimes…, but it’s totally rewarding and true. – Great stuff … so … it seems to me.

    E, claro que é indiscutível a importância dos sonhos, do desejo, da imaginação, leitmotivs e enfim, origem da vontade e da realização. Mas, no conto, me pareceu que a realização ficou meio que comprometida… forçadamente neurótica … uma tia sofrida…. e totalmente vazia de importância [?] . – don’t you ?

    Eu penso que existem tipos de sonhador: [ e sim… tipos de construtor ]

    Os que vivem seus sonhos e os que sonham que vivem .

    – ah .. and another ones : os que sonham que sonham , porque não se atraem pela construção do viver ou não se dispoem à construção de seus sonhos “no e do ” viver . [dead people don’t dream, I guess ] So , this is a break . Insufficient , unsatisfying. Something like a script without making of .

    The last ones…. – the jumpers dream – Man , they live in a dangerous area. They don’t live in the world of Life . They don’t happen in the real world. This is the kind of dreamer who is a magnificent hero in his own dreams, but unable to fight for their reality, – and for this one… if he loses or gets lost in the dream world, nothing else has left.
    May be , I think , the difference that I mentioned up there.

    Great post , Man !
    Bj
    Fy

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    • Anarcoplayba says:

      Well, well, well, honey… first, first, first of all, não questiono que talvez, sob o aspecto filosófico, algumas pontas tenham ficado soltas. Mas acredite, foi por um bem maior: é um texto artístico. Uma ficção. Portanto me dei certa licença poética.

      Um grande conhecido meu escreveu aos 17/18 anos uma HQ chamada “chuva contra o vento” no qual o plot point é o estupro da protagonista. Anos depois ele disse que aquilo fora um erro. Era caricato demais. A vida não funciona desse jeito. E realmente não funciona. A ficção, por outro lado funciona.

      Óbvio que não pretendo me esquivar de uma leitura psicológica, embora acredite piamente que ela é restritiva demais… até limitante. Eu me inspirei para redigir esse texto em um episódio de South Park, um livro da coleção vagalume cujo nome não me lembro e uma série de conversas.

      No episódio de South Park o cientista criou um veículo que funcionava quase infinitamente, substituía os aviões, mas precisava de um plugue oral e anal. Ao verem como funcionava os espectadores falaram: “Nossa… isso deve doer.” E uma voz na multidão disse: “Mas ainda é melhor que um aeroporto.”

      Parte da questão era a respeito de quanta dor alguém suportaria por um benefício real.

      Por outro lado, quando falei em sonhos, fiz, propositadamente, um jogo de palavras entre sonhos e objetivos. Peguei como fundamento umas pesquisas que falavam da privação de sono REM. Acarretaram distúrbios pesados… Aí foi um realismo fantástico: pega um “e se” e carrega pra realidade e, bingo, temos um conto.

      Nisso, realmente, a realização dos sonhos ficou em segundo plano. Era sobre tirar o germe do desejo das pessoas. Aquela crença até mesmo improvável. Era, também, sobre isso aqui:

      No conto, e talvez da forma como eu acredito, uma pessoa pode viver sem realizar seus sonhos… é uma merda de vida. Mas viver sem sonhos… isso é o inferno… acho que nem o inferno é. Afinal, como disse Sandman ao ser cercado pelas legiões do Inferno: “Cuidado, Demônios, vocês me perguntam que poder têm os sonhos no Inferno e e te respondo: o que seria do inferno se os condenados não sonhassem com a redenção?”

      Agora… sobre se perder no mundo dos sonhos… that’s a real risk. As you said before and above. The question is that most of the paths have a crossroad for each and every step… however when you look back you see only one road.

      Maybe because you just opened it.

      =***

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      • Fy says:

        Between the dream and the accomplishment there is a distance, that is still not called “way”..

        There are no such things as way. Ways are made as you walk. Only then, step by step you turn the distance into way. Only by step by step.. you cross the choices and become the true walker of your directions. So it seems to me.
        I love Neil Diamond! You Know that.

        To inspire you :

        http://nealsquare.tumblr.com/post/43494417023/neil-gaiman-the-second-stage-of-the-blackberry

        Don’t forget to scroll down and click on the 12 stories. You’ll like them .

        Thank you for answering .

        Bj
        Fy

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      • Anarcoplayba says:

        I saw the vid… but didn’t see the stories…Neil Gaiman is one of the best human beings alive today… ;)

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      • Fy says:

        ahahahahahah – writing … running … is this. listening to Neil Diamond – sorry, Man .

        Corrects for me and then, when you have time read them, they are great, of course. ;)

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  • Karina says:

    sensacional, Tarso.

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  • vips says:

    leitura gostosa…Sugeriria continuar com esse personagem em outros contos… ou já existe?

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    • Anarcoplayba says:

      Não existe não, Vips… Mas não sei se tem muito espaço para outros contos com os mesmos personagens… vou tentar roteirizar para uma peça curta de Teatro… mas isso vai dar certo trabalho.

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