O rei está morto.

February 4, 2014 § Leave a comment

Há mais ou menos exatamente um ano (e mais ou menos exatamente diz muito mais do que está escrito) tivemos uma ideia: e se ao invés de morar em um apartamento minúsculo todos fôssemos morar em um castelo? Uma casa na qual convivêssemos e, convivendo, tivéssemos a possibilidade de desenvolver nosso melhor?

A ideia era ótima… mas deu mais ou menos certo. E dar mais ou menos certo diz muito a respeito do desfecho.

Tivéssemos, apenas, nos isolado em nossas individualidades o resultado não teria sido tão negativo. De um reinado de cinco reis nos reduzimos à Mansão Monstro. E ao final de um ano, fechamos as portas da casa, deixando lá dentro suas três lareiras, todos os seus fantasmas e saindo, quando muito, com histórias.

Ah, e deixamos uma bromélia, com seu cetro rosa e azul e seus espinhos.

Acho que parte do problema é que as pessoas repetem ad nauseam que toda rosa tem espinhos, mas ignoram que a Rosa (também) é os espinhos. Não se trata de um anexo nauseabundo inserido para estragar a pura e perfeita beleza da Rosa. A Rosa não tem espinhos. Ela é os espinhos. O caminho não tem percalços. Ele é (também) os percalços.

O grande problema é que ao olhar para frente vemos um muro de espelhos, e vemos apenas a projeção do caminho já percorrido. Se vivemos espinhos, vemos espinhos. Se vivemos algodão, vemos algodão. E em ambos os casos temos o problema de não viver o caminho, mas a projeção que fazemos do caminho. Quando menos esperamos somos surpreendidos pela rosa. Ou pela tesoura de poda do segurança da balada.

O “Fim da História” é um dos conceitos mais nocivos já criados e que, felizmente, já foi relegado à lata de lixo da história. Posto em seu lugar de propaganda disfarçada de constatação. A história nunca acaba. Trocam-se os personagens, o narrador se cansa, mas a história permanece. E história é mudança diacrônica. Variação do estado das coisas dentro de uma variação de tempo.

O Tempo é filho da mudança percebida. Cronos é o Senhor das extremidades dos tempos. Aquele que observa o início e aquele que observará o fim. O Grande Rei Saturno, que na Babilônia reinava nos céus enquanto seu filho, Júpiter, ora o auxiliava, ora atentava contra seu Reinado.

Os gregos, viadinhos, com sua paixão pelo vinho, música e coisas macias fizeram de ZeusPater o Senhor dos Deuses. Mas deixaram Saturno no limite dos mundos. Ostracizado. Tomando conta dos portões. Afinal, não importa as histórias que se contem. As estrelas continuam no céu.

E Saturno continua em seu trono, mesmo que seus templos tenham sido queimados há séculos e que não se queimem mais ossos em sua homenagem. No fim ele triunfa, pois tem paciência e sabe esperar.

O Rei está morto. Longa vida ao Rei!

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