As mil e uma noites.

February 13, 2014 § Leave a comment

As mil e uma noites é um compilado de fábulas e contos árabes, hindus e persas (acredita-se) datado de um pouco antes do século IX.

Conta a história de Sheherazade, a mais nova esposa de Shariar, rei da Pérsia que, após descobrir que sua esposa o havia traído, decide que nenhuma mulher é digna de confiança, e mata todas as suas esposas após a noite de núpcias.

Sheherazade, sabendo da história, e decidindo impedir que o rei continuasse cometendo tais atos, começa a contar uma história por noite para o Rei, tomando o cuidado de deixar o Rei em suspense até a noite seguinte, quando, então, terminaria de contar a história anterior e iniciaria a próxima.

Hoje sabe-se que as histórias contadas por Sheherazade são contos anônimos existentes há muito tempo no Oriente Médio. Como sói ocorrer, os mesmos não eram invenções de Sheherazade, nem mesmo do autor do livro.

As mil e uma noites acabou entrando para a história não como uma coletânea de contos, mas apenas como a história de Sheherazade, que, espertamente, conseguiu manter o Rei distraído e ocupado com suas histórias para que o mesmo esquecesse de seus planos. Trata-se de um aspecto muito comum na mitologia do Oriente Médio, que valoriza o herói astuto ao herói forte. Imortalizou-se, assim, a figura da mulher astuta que distrai seu interlocutor com histórias e contos que lhe foram contados para enganá-lo.

***

Telejornais são uma coletânea de histórias e notícias com pretensa imparcialidade e que pretende (acredita-se) informar a população. Sua criação é datada da segunda metade do século XX, apesar de a ideia ser muito anterior.

Eles contam histórias para seus telespectadores que tentam tomar com base nas notícias suas decisões sobre como se comportar, o que fazer e quais os maiores problemas a serem evitados.

Sheherazade, sabendo da história, e decidindo que é interessante fixar o foco da realidade em uma questão específica, começa a contar suas histórias para o Povo, tomando o cuidado de tomar um partido e abordagem extremado, fazendo, assim, que o Povo fique discutindo apaixonadamente as opiniões dadas até que a próxima opinião polêmica.

Hoje sabe-se que as opiniões dadas por Sheherazade não foram escritas por ela, nem mesmo pelo editor do telejornal, mas provavelmente são uma coletânea de velhas opiniões anônimas existentes há muito tempo no ocidente (e oriente, e nesse bananão chamado Brasil).

Os Telejornais acabaram entrando para a história não pelas notícias que deram, mas como a história de Sheherazade/Sakamoto/Chico Sá/Arnaldo Jabor/Etc. que, espertamente, conseguiram levantar grandes polêmicas que mantém as pessoas distraídas e lhes dá notoriedade. Trata-se de um aspecto muito comum na mitologia do Ocidente Mérdio, que valoriza as grandes entidades sociais ao indivíduo, que permanece discutindo as opiniões alheias ao invés de fazer alguma coisa de útil.

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