A hora de partir.

October 21, 2014 § 5 Comments

Uma das cenas de filme que me chamam mais a atenção se dá em “O Retorno do Rei”.

Put aside the ranger. Become who you were born to be.

Uma das coisas interessantes da Linguística é quando línguas distintas possuem expressões semelhantes.

Em 1977 o Professor Goffredo leu no páteo da Faculdade de Direito, no Jardim de  Pedra das Arcadas, a Carta aos Brasileiros, um manifesto pelo Regime Democrático de Direito, que praticamente se inicia com um pedido: “Deixemos de lado o que não é essencial”.

“Ditadura é o regime que governa para nós mas sem nós. Fiquemos apenas com o essencial.”

O maior problema da Vida é de natureza econômico: temos recursos escassos e necessidades infinitas. Ou pelo menos o meu problema é escassez de tempo e desejos infinitos. Quero ensinar a escrever, ouvir estrelas, pentear salgueiros, tocar gaita de fole, atirar com arco e flecha, aprender os 108 bastões de Kali, escrever um livro de poesias e um de realismo fantástico, ler todos os livros do mundo e aprender todas as lutas, ter milhões de amigos, pintar quadros e esculpir em mármore negro. Plantar uma árvore pra cada dia de vida e viver mais que as estrelas do céu.

I want more life, father.

However, death is the problem.

Nessa estrada escura que é a vida (não pela falta de luz, mas pela impossibilidade de se saber sua extensão ou acidentes) o maior problema é investir o tempo que você, francamente, não sabe se tem.

Acho que daí que advém a importância do dinheiro. Dinheiro é tempo. Pelo menos o tempo que alguém gastou para ganhar aquele dinheiro. Dizem que quando temos tempo não temos dinheiro e vice-versa. Sim, é verdade. Resumidamente porque você vende o tempo que lhe foi dado viver sobre a Terra em troca de um salário.

(E é por isso que impostos me incomodam. Mas tergiverso.)

O fato é que vivendo é necessário organizar seus recursos. Dentre eles o tempo. E isso envolve deixar de lado tudo o que não é essencial. Deixar de lado a roupa de ranger e me tornar quem eu nasci pra ser.

Obviamente seria muito mais fácil se eu soubesse o que diabos eu nasci pra ser. Mas essa é a pergunta errada: ser humano não é se completar, é se construir.

Por isso ora digo: É hora de partir.

Não me mudar, ou sair, ou largar. Não, por favor. Hora de partir como hora de quebrar. Quebrar tudo aquilo que, talvez, não seja essencial.

O primeiro passo foi apagar o facebook do celular. O messenger também. Talvez eu me torne mais produtivo. Talvez não. Mas isso eu quebrei.

Agora vem o segundo: partir do Ask. O Ask é piada. É engraçado, é divertido. Mas a diversão é uma ilusão. Espero que isso gere um efeito colateral: Que o blog ganhe mais atenção. O Ask é o meio de encontrar no caos da internet a inspiração pra uma piada. Hora de encontrar inspiração em outro lugar.

A faculdade? Foi partida. Em pedaços menores. Alguns eu manterei. Outros não.

E tantos outros pedaços pequenos… Twitter, livros que não lerei, trabalhos que não farei, disciplinas que não estudarei.

Temos mania de pensar que gordura é reserva para momentos de necessidade. Gordura é peso. E seu corpo fica mais bonito se só tiver o essencial para viver.

Sua vida também.

 

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§ 5 Responses to A hora de partir.

  • misspepper81 says:

    Parabéns por ter deixado o Ask. Pode até ser divertido, mas há fontes melhores de inspiração.
    De fato, o homem se constrói baseado nas escolhas que faz e percebendo quando está maduro o suficiente para mudar. Às vezes, o mundo vira de cabeça pra baixo e adaptar-se é preciso.
    Conforme envelhecendo, a lista do que é essencial tem que ser reduzida. Sorte de quem pôde aproveitar todas as etapas, o tempo não para nem nos permite recuperar o que é essencial. Só resta o vazio.

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  • Antonio says:

    Fico feliz de saber que vc vai continuar com o blog. Também Achava o ask divertido, mas o blog é muito melhor ! Gosto muito de lê-lo.

    Abandonou a facul de letras?

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  • pmaat says:

    Cuidado para não remover as gorduras conhecidas e colocar outras, as pessoas tem um mal habito de remover algo e acabar colocando do mesmo em seu lugar.

    Não esqueça de deixar sempre alguma gordura, porque até mesmo sem ela o corpo não sobrevive.

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