Humans.

October 15, 2015 § Leave a comment

Em 1951 estreou “O dia em que a Terra parou”. O filme conta a história de um alienígena que chega à Terra e avisa aos líderes mundiais que a corrida armamentista é um risco real à humanidade e deveria cessar. Confrontado, dá uma demonstração de poder, morre e deixa um aviso (que não vem ao caso).

“O dia em que a Terra parou” deu origem a várias sátiras, uma refilmagem e influenciou algumas obras que deram valor maior ou menor a alguns elementos do filme. A beligerância, a ficção científica, a mensagem de paz, etc. Um dos aspectos mais interessantes do filme, no entanto, diz respeito ao julgamento da humanidade.

“Acaso não faria justiça o Juiz de toda Terra?” Sim, faria. Mas nesse caso, o que é justiça? Globalmente, com certeza, cortejamos o espectro da culpa. Talvez não o dolo, admito, mas a culpa com certeza. Negligência, imprudência e imperícia. “Para dormir me deitei entre assassinos, comi meu pão entre as batalhas, fiz amor sem muita atenção e não tive paciência com a natureza”. Your excelence, we plead guilty.

No entanto, talvez seja errado julgar os humanos pelos nossos crimes. Pense bem: Nós até que conseguimos bastante coisa: nascemos de pedaços de estrelas que explodiram, juntamos carbono, ôxigênio e hidrogênio. Escrevemos nossas últimas vontades no DNA, passamos adiante e viemos tentando melhorar. Pra algo comparável a espermatozóides  de estrelas, até que a gente se deu bem.

Se pra um resto de estrelas a gente mandou bem, sob a perspectiva espiritualista, igual otimismo é cabível: Nascemos sem saber de onde viemos, quem somos ou pra onde vamos. O que vier é lucro.

Acho que no fim, não seremos julgados por nossos pecados, mas por nossas virtudes. Nossos erros são compreensíveis. Nossa beleza é um diamante.

Mas é tão comum ficarmos com a vista cansada, entediados e descuidados que deixamos nossa humanidade passar em branco, como se ordinários fôssemos. Porque num mundo de ruídos, mais um som é barulho. Daí a importância da diferença. De encontrar o distinto e reconhecê-lo como contraste do igual.

Pra essa proposta, Humans se apresenta como perfeito:

De um ex-presidiário espancado pelo pai falando sobre o amor que a mãe e avó de suas vítimas lhe rendeu ao homem lembrando da esposa inválida feliz por poder cuidar dela. Da mulher que matou o marido que a espancava para proteger os filhos ao japonês que fez um pacto de suicídio (felizmente mal sucedido). Do jamaicano pobre falando sobre a miséria à Russa rica falando sobre o dinheiro.

“Pobreza é querer e não conseguir.”

Ao final, difícil não se apaixonar pelo que faz de nós humanos. Não nossas falhas, mas nossas virtudes. E difícil não querer acabar com a pobreza no mundo. Acabar com o querer comer e não conseguir, com o querer amar e não conseguir, com o querer pensar e não saber.

Assistam. É importante descobrir o que faz de nós humanos.

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