Aos meus amigos.

December 26, 2015 § 1 Comment

São Paulo, 25 de dezembro de 2015.

A todo mundo.

Caros amigos, boa noite.

Gostaria de iniciar esta missiva por algum apecto perdoável, mas, efetivamente, não consigo. E a tentativa de explicar as desculpas talvez sirva como melhor pedido de desculpas que qualquer outra coisa.

Talvez.

Este blog é, e sempre foi (e provavelmente sempre vai ser), sobre o meu coração. Eu posso falar sobre a dilma (assim mesmo, com letra minúscula, porque não é a pessoa, mas o símbolo) que ele sempre vai ser sobre como o meu coração reage sobre alguma coisa. Nesse caso, a dilma.

Nesse sentido, eu insisto, há tempos, em escrever. Oras acerto, oras erro. Acontece. O fato é que eu tento falar algo sobre algo que seja pertinente. Pois eu creio que seja, sim, pertinente o que eu sinto sobre o mundo.

Natural, portanto, que o blog siga o ritmo da minha vida. Quando eu falo que  a regra geral é que “quanto mais sexo, menos posts”, é verdade. Mesmo que a vida fodendo seu cu com uma piroca de negão de 30 centímetros até você pedir penico seja uma espécie de sexo.

Minha vida está tensa. Não insuportável, nem ruim, meramente tensa. Tensa como um pássaro que não canta por medo de ser percebido pela cobra.

E eu asumi essa tensão como natural e parte da minha vida. E não é. Peço desculpas por isso. Eu sou canário do reino, canto em qualquer lugar.

Quer exista cobra, quer não.

Desde 2003 há o almoço de natal Malandricus.

Malandricus.

Esse nome perdeu, mais do que nunca, todo um sentido que, talvez, nunca tenha tido de verdade, exceto no meu coração. Mas não é problema, pois eu falo sobre o meu coração.

Desde 2003 há o almoço de natal Malandricus.

Nos últimos quatro, talvez cinco, eu hospedei esse almoço de natal.

Esse ano não. Esse ano eu avisei todo mundo antes e falei: “Olha, não vai rolar. Não dá. Não aguento. Não vou fazer nada. A casa caiu, a chapa esquentou e não vai dar. O mundo tá pesado demais, não sei pra onde eu tô indo e não sei o que fazer. Não sei quem eu sou e nem da onde eu vim ou pra onde eu vou. Cabe querer fazer um almoço de natal nessa situação? Cabe? Não cabe. Não rola. Desculpa.”

Eu esperava que falassem “que pena, então não vira. Relaxa. É norml. Afinal, o que é um ano a menos em treze anos?”

O Breno falou “Beleza, esse ano é em casa”.

Obrigado.

Eu não sei mais o que falar a não ser isso: Obrigado.

E agora, escrevendo isso, com lágrimas (talvez desnecessárias) nos olhos eu digo: Obrigado.

Obrigado por ser(em) meus amigos. Obrigado porque quando eu falei pro mundo “desculpa, não dá, quebrei”, alguém virou e disse “calma, guenta as pontas que vai dar”.

Obrigado, meus amigos, porque quando eu não consegui ser eu mesmo vocês falaram “guenta as pontas que a gente te ajuda a ser você mesmo”.

Vocês fazem ideia de como isso é importante? Como é ter alguém pra falar “relaxa, a gente segura as pontas pra você”. Não têm. Duvido que tenham.

Isso é escolher bons amigos: Escolher as pessoas que te ajudam a ser você mesmo quando você falha e pede arrego. Pede pinico. Pede licença e pede desculpas.

Vocês não sabem como dói falar “desculpas porque eu não consegui ser eu mesmo”. E vocês me ajudaram nisso.

Eu falei anos atrás ao Homem-Hipotérmico: “Eu amo meus amigos porque com vocês eu posso ser imperfeito como eu sou. E eu sou grato por isso.”

Meu maior poder é ganhar quando eu não mereço. Meu maior poder é ser um filho mimado de deus. Porque eu não mereço, mas Deus me ama. E estando perto de vocês eu sou melhor do que eu sou de verdade. Porque eu me cerco das melhores pessoas no mundo. Eu me cerco daqueles com quem eu posso falhar que eles vão dar um passo adiante e dizer “descansa, porque está tudo sobre controle”. Meus amigos são as mehores pessoas no mundo. Porque eles são bons quando eu não sou suficiente.

Muito obrigado a todos eles por tudo. Não só os que estavam lá.

E eu peço desculpas, direta e abertamente a todos, especialmente ao Sartre, porque eu não fiz o papel que eu deveria fazer no mundo. Eu deveria ser melhor que que fui. Deveria ter convidado todos aqueles que eu amo. Mas falhei nisso. Peço desculpas a quem eu falhei com, mas agradeço àqueles que não falharam comigo quando eu não fui eu mesmo.

Espero algum dia ter poder suficiente para retribuir. Mas eu duvido.

 

 

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§ One Response to Aos meus amigos.

  • Lívia Ludovico says:

    Engraçado… O Breno já me salvou de uma tb, mas pelo viés contrário: ele não me deixou ser quem eu era. Acho q ele percebeu meu orgulho ferido por trás da mente histérica, nervosa e febril… Então, calmamente, disse: “Começa de novo. Começa do zero”. Depois q eu descobri como, até q não foi difícil…

    Talvez seja sorte, como vc disse, ter amigos que gostam da gente como nós somos… É bom estar com eles! Mas acho um privilégio ter amigos que não nos deixam ser nós mesmos, além de nossos pais. E nossos inimigos.

    Feliz natal. Atrasado. Mas de coração. 😉

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