O Apocalipse de Paulo Tarso.

April 17, 2016 § Leave a comment

Não é nenhuma novidade que eu tenho um fraco pelos textos religiosos.

Com a idade, muito para minha surpresa, me aproximei da mitologia Judaico-Cristã. O suficiente para estudar hebraico. Se algum Cristão ler isso vai estranhar eu me referir a “Mitologia Judaico-Cristã”. Sim, mitologia. Hércules era filho de um Deus com uma Mortal. Aquiles era filho de uma Deusa com um Mortal. Jesus era filho de um Deus com uma Mortal. Simples assim.

O ponto da mitologia não é uma prova irrefutável da existência ou não de algo. O ponto da mitologia é apresentar um ponto a respeito ou não do ser humano. E em se tratando de seres humanos, a definição de um paradigma é um ideal, não um fato. Se eu afirmo que o ser humano é honesto naturalmente, longe de isso ser um fato comprovado, é uma ambição humana.

Nesse sentido, quando o autor bíblico fala que o ser humano é terra e sopro divino ele não está falando que somos primos do tijolo. Está falando que temos natureza dual, uma parte que precisa apenas de comida, sono e sexo. Outra parte (que nem precisa vir desse amigo invisível chamado de deus) que quer transcender o mínimo, deixar para trás a mediocridade. Ser mais do que se é. A Mona lisa não foi pintada pela parcela tijolo de DaVinci.

Nesse sentido, um dos livros mais difíceis de se entender é o Apocalipse. Primeiro porque é em linguagem simbólica. Então acaba havendo certa relevância toda informação dada. Vinte e quatro tronos. Por que não 15? Quatro animais. Por que não oito? É como um código que se faz necessário uma chave para se entender. Além disso, o Livro do Apocalipse fala de um tempo por vir, mas quando? E falam há séculos que o fim está próximo, mas ele nunca chega?

Eu sou astrólogo. E umas das minhas chaves favoritas, obviamente, é a astrologia. A astrologia (tradicional) trabalha com quatro elementos, sete planetas e doze signos. Isso desde muito tempo antes da bíblia ser escrita. E não à toa as constelações que davam a roda zodiacal alguns milênios atrás eram Touro, Áquila, Aquário e Leão. O Bezerro, a Águia, o Anjo e o Leão apresentado no Apocalipse. Aí você aplica os sete selos, igrejas, etc. aos planetas e chakras correspondentes e os doze signos à doze tribos de judá e tá tranquilo, tá favorável.

E a primeira coisa que tem que ser entendido sobre o Apocalipse é que Apocalipse significa revelação. O Livro do Apocalipse é o livro da Revelação. Revelação tem como origem duas palavras “Revel”, que é “aquele que não age” e “Ação”. O Apocalipse é a ação de não agir.

Tao Te King, Capítulo 2:

Por isso o sábio age sem nada fazer
e ensina sem nada dizer
As coisas surgem e Ele permite que venham,
as coisas desparecem e Ele as deixa ir.
Ele tem mas não possui
e age sem expectativas,
Quando seu trabalho está feito,
Ele o esquece.
E por isso ele dura para sempre.

O apocalipse é sobre a iluminação. Aquela clareza de sentido e de certeza que alguns tanto almejam. E é por isso que o número de salvos é fixo: 144.000 a revelação não é para todos.

Além disso, o livro é longo. Longo pra caralho. E tem sol escurecendo, lua virando sangue, nego a cavalo, peste, fome, guerra, etc. É tanta desgraça que parece até a lista de deputados eleitos do PMDB. Porque a iluminação não é agradável.

E revelação, em si, já é uma palavra complicada: aquilo que está oculto se mostra. E quem disse que o que está oculto é bom? Até onde eu sei, ninguém se esconde pra fazer coisas boas, justas e corretas.

E a última coisa: morre gente pra caralho no apocalipse. Porque nós somos humanos. Metade tijolo e metade filhos de deuses. Vivemos nossa rotina, se esforçando para alcançar o reconhecimento dos seus pares tijolos: estudamos muito para passarmos numa faculdade cara, para termos empregos caros, roupas caras, carros caros, esposas e maridos caros para gerarmos filhos caros e no fim da vida termos uma morte cara e sermos lembrados como o cara que montou uma empresa que dava emprego para mais de duzentos tijolos, termos comido mais de 100 tijolas na vida, viajar para os lugares mais disputados pelos demais tijolos e fazer inúmeras outras tijolices. Ao perceber os tijolos ao seu redor acaba rolando morte. Morte de amizades, de empregos, de carreiras, de amores. Porque os tijolos ao seu redor são os tijolos que você usou pra construir essa vida ao seu redor. E essa vida é mentirosa. Porque você é mentiroso. E enquanto você for mentiroso você não pode pretender o direito de viver em um mundo verdadeiro. Porque você é parte do seu mundo. A parte principal.

Eu queria que o Apocalipse fosse um meteoro caindo na Terra. Ou uma epidemia zumbi. Porque não teria que existir escolhas. E nada é pior do que escolher contrariamente àquilo que você sabe ser certo.

A ignorância é uma benção e a revelação uma maldição. Talvez por isso o Apocalipse prometa a Estrela-da-Manhã aos que por ele passam.

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