Uma análise presunçosa sobre Game of Thrones.

June 28, 2016 § 5 Comments

(Que contém spoilers.)

Ok, terminou a sexta temporada e estamos indo para a última temporada (que assim como Breaking Bad vai ser esticada em duas, então sim, eu sei que tem mais dois anos, mas não, isso não faz duas temporadas) e é o momento perfeito para fazer uma análise que eu estou postergando faz tempo sobre a série (não, não li os livros ainda).

1) A Magia em Game of Thrones.

Uma das coisas que eu acho mais interessante em GoT é a magia. Existe magia, mas ela consegue ser ainda mais discreta que em Senhor dos Anéis. Melisandre queima uma sanguessuga e alguém morre. Coincidência? Não? Não dá para saber. A Magia em GoT está nas coincidências. Quem ofende as leis dos deuses acaba sendo castigado. Cai um meteoro na cabeça dele? Não. Mas ele morre exatamente como matou. Os arquitetos do Red Wedding morreram com um tiro de besta, esfaqueado no coração e com a garganta cortada diante do cadáver do filho.

Isso cria um capítulo completamente novo sobre “verossimilhança”. “Ain, que coisa tosca, aquilo na Batalha dos Bastardos foi deus ex machina”. Sim, foi. Assim como o que aconteceu com o Oberyn. E com a Arya. E com a Ygritte, que não erra um coelho a trinta metros, mas errou o Jon. O Cão deveria ter morrido também e não morreu. E por aí vai.

Outra coisa interessante é o Poder do Sangue. Filhos de Nobres são melhores que filhos de plebeus. Porque são nobres. Ponto. Um exército liderado por um nobre luta melhor. Um nobre é mais forte. Ponto. O Direito de Governar está ligado ao sangue. E funciona. Porque é mágico.

As pessoas possuem funções no grande esquema das coisas. Hodor tinha UMA função durante toda sua vida. Cumprida a função, ele pode morrer. Isso parece cruel para nossa vida individualista… Mas em uma terra na qual o que importa é que o Fogo vença o Gelo, isso é uma honra.

2) A Religião em Game of Thrones.

Essa é a parte mais legal de todas. Existem basicamente três panteões em GoT: Os Deuses Antigos, Os Sete e O Senhor da Luz.

Os Deuses Antigos são basicamente uma religião panteísta que idolatra árvores e elfos. Ops, quer dizer, Árvores e as Crianças da Floresta.

Os Sete são uma religião politeísta que idolatra sete personificações antropomórficas de aspectos da humanidade: O Estranho (A Morte/Saturno), a Sábia (Júpiter), O Guerreiro (Marte), O Pai (Sol), a Dama (Vênus), o Artesão (Mercúrio) e a Mãe (Lua).

O Senhor da Luz, cuja fé o proclama como o Único Deus e queima os hereges por aí.

Existe uma relação clara entre as religiões “reais” em ordem cronológica (Paganismo, Politeísmo Greco-Romano e Monoteísmo Judaico-Cristão) e as religiões de GoT. Cáspita, o catolicismo deles até queima bruxas por aí também.

E nesse aspecto, duas coisas saltam à vista: primeiro que todas as religiões funcionam. Os deuses antigos funcionam, atuam, influenciam nas coisas. Os Sete também. E o Senhor da Luz nem se fala. Isso sugere que o foco da religião não são os Deuses, mas os seres humanos. TALVEZ daí venha boa parte do Segredo de Atlântida, ops, quer dizer, Valyria e do Poder dos Maesters.

Além disso, tudo indica que a Fé do Senhor da Luz vai mesmo se estabelecer.

3) Um mundo de Transição.

Um dos tópicos mais fortes em GoT é a transição dos velhos modos para os novos modos. Ned morreu porque representava os velhos modos. A maior parte dos patriarcas foram mortos e destronados. Daenarys passou a maior parte das seis temporadas lutando contra os velhos modos (escravidão).

Foda-se o nome. Um Snow é Rei de Winterfell. Foda-se a tradição: Arya é Arya E é uma Sem Nome (ela bebeu do poço, não?). Acaba a Casa Frey. Acaba a Casa Bolton. Acaba a Casa Martell. Os Lannisters não têm mais herdeiros. A Patrulha da Noite não enfrenta mais os Wildlings. Morreu o último gigante. Os Greyjoy virarão comerciantes. Daenerys não quer ganhar a dança das cadeiras, quer quebrar a roda dos tronos. E por aí vai.

E eu acho que essa é a grande razão pela qual GoT faz sucesso hoje: ele fala de uma transição entre o passado e o presente, semelhante à que acontece entre a Idade Média e a Idade Moderna: Robert derrubou a maior dinastia já estabelecida e com isso mostrou que poderia ascender ao trono. Depois disso todos entenderam que o Trono de Ferro era viável. Direito de nascença o cacete. Aqui é livre arbítrio burguês.

Se eu fosse arriscar um palpite, portanto, diria que tudo caminha para um resultado “moderno”: As velhas casas caem, os bichos papões morrem junto com os outros seres mágicos (White Walkers, Crianças da Floresta, Dragões, etc.) e no final a gente termina com algo próximo a uma democracia.

***

Para quem quiser mais umas brincadeiras sobre GoT: http://www.dorkly.com/post/79337/10-insane-details-game-of-thrones-fans-have-noticed

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