Necrofilia.

February 6, 2017 § Leave a comment

Existem centenas de fetiches no mundo. Provavelmente um fetiche diferente para cada ser humano vivo. Ou ao menos para cada grupo pequeno de seres humanos. Eu posso estar errado, mas acho que se chutarmos um fetiche diferente para cada grupo de cinquenta seres humanos, estamos bem.

Fetiche por saltos altos. Certeza.

Fetiches por queijo cottage dentro de saltos altos? Deve ter.

Fetiche por mulheres asiáticas vestindo scarpins cheios de queijo cottage e pisando no mindinho esquerdo de um travesti vendado? Quase certeza que se eu publicar um site sobre isso alguém vai se interessar.

Dos diversos tipos de fetiches que existem, alguns são aceitáveis e outros não.

Tudo bem amarrar uma asiática e enrabá-la.

Sem problemas se vestir de Nazi e querer chicotear alguém.

Prender uma mulher em um móvel e usá-la de objeto sexual não é sem precedentes.

No entanto, pedofilia é um “no no”.

Bestialismo, apesar de não causar grandes problemas é socialmente reprovável.

E necrofilia é um tabu.

E para falar sobre isso hoje que eu vim aqui. Eu sou um Necrófilo.

Sim, eu sou um necrófilo.

Mas por favor, não me entendam mal. Nunca invadi cemitérios ou qualquer coisa do gênero. Isso seria muito baixo e bárbaro. Eu sou adepto de um tipo muito específico e simples de necrofilia. Me considero quase um connoisseur, com um nicho muito específico.

E tenho tesão por amores mortos.

Sim, isso mesmo. Eu fui amaldiçoado com a percepção da minha realidade. E fui amaldiçoado com o dom de ver as coisas mortas. É quase uma mediunidade, mas sem todos os poderes legais envolvidos nela. Eu vejo amores mortos. O tempo todo. Enxergo fantasmas andando pela casa. Vultos de flores mortas e cartas guardadas. Sou capaz de ver plenamente todos os sinais de um amor morto. Os olhos opacos, a boca seca, os lábios contraídos, o mau cheiro e rigor mortis.

Mas não consigo me desvencilhar deles. Eu sei que uma pessoa normal sentiria nojo ou ojeriza ao pensar em fazer amor com um amor morto. Mas eu não sou uma pessoa normal. Diante da certeza da morte do amor eu me sinto compelido a tentar mais. A tentar a ressuscitação mais um pouco (“Já são três dias, mais um pouco e vai dar!”). A me esforçar para ver se, tal qual um Lázaro, o amor morto sai da caverna caminhando sem chagas e dando o testemunho de um milagre.

Mas isso nunca acontece. O amor apodrece e se quebra, revelando o interior decomposto e carregado de vermes que eu sei, mas não quero acreditar.

No fim, enquanto escorre e se mistura, podre, com a terra eu sinto sair do cheiro de carniça, entranhas e vermes, que mastigam carne morta e viva como se uma única coisa fosse, a frase que joga na cara a incapacidade e incompetência:

“Podemos ser amigos.”

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