O Mundo Roda, Roda, Roda…

June 30, 2017 § 5 Comments

E de alguma forma eu paro sempre no mesmo lugar. E isso fala mais ao meu respeito do que eu gostaria.

30 de junho de 2017. Há mais ou menos 14 anos e 3 meses eu escrevi meu primeiro post no hoje extinto Malandricus Bar & Vodka.

Durante aquela fase, a fase Heróica da Malandricagem, nosso objetivo (ou pelo menos o meu objetivo) era compreender o mundo. Em algum nível eu consegui. Sim, em algum nível eu vi A Máquina do Mundo. Ela se abriu pra mim e me mostrou seus mistérios. Eu, enojado, fechei as portas e me tranquei numa caverna. Me afastei dos conflitos do mundo, não satisfiz os desejos, mas esqueci-os, e paguei o mal com o bem em uma tentativa vã de aderir àquilo que os livros antigos diziam que era a sabedoria.

Como não fazê-lo? Vi pessoas boas serem derrotadas e humilhadas por pessoas péssimas. Eu adoraria dizer que vi a humilhação em primeira pessoa, mas, na verdade, a vi em terceira pessoa.

“A natureza não gosta de pessoas boas. A natureza gosta de quem é melhor.”

Não quis ser parte disso. Não quis compactuar com isso. Acho que pretendi ser mais moralista que o Universo em si.

Não que seja muito difícil ser mais moralista que o Universo porque, bem, francamente, se você acha que o Universo tem alguma moral ou ética, você não esteve prestando atenção até agora. O problema é que o Universo não gosta muito de quem está fora do tom. E, cara… eu desafinei.

“Você é um fracasso.”
“Você está desperdiçando a sua vida.”
“Só você não vê que você pode ganhar muito dinheiro.”
“Você precisa de um apartamento pra gente poder transar.”
“Só falta ganhar dinheiro pra você ser um Partidão.”
“Você é fraco.”
“Se você gostasse de mim de verdade você me tirava do meu namorado.”

Frases reais que o universo me disse. Saídas da boca de amigos, namoradas, familiares. Daqueles para quem eu deixei de ser eu mesmo para proteger. Porque eu só sei fazer BEM uma coisa: lutar. Só isso. Até na minha profissão é isso. Eu sou advogado. Eu luto por dinheiro. Se eu luto bem, eu vivo bem. Se eu luto mal, eu vivo mal. Simples.

“The Matrix is a system, Neo. That system is our enemy. But when you’re inside, you look around, what do you see? Businessmen, teachers, lawyers, carpenters. The very minds of the people we are trying to save. But until we do, these people are still a part of that system and that makes them our enemy. You have to understand, most of these people are not ready to be unplugged. And many of them are so inured, so hopelessly dependent on the system, that they will fight to protect it.”

Mas aparentemente eu valorizei o universo mais do que ele mesmo se valoriza. Um erro. Toda virtude será castigada.

Agora, depois de o mundo rodar, eu parei novamente no mesmo lugar. No centro do campo de batalha. Eu contra o mundo. Porque qualquer coisa menos que isso seria injustiça.

Que assim seja.

O lugar que o mundo reservou pra mim fala muito a respeito do universo.

E muito mais a respeito de mim.

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§ 5 Responses to O Mundo Roda, Roda, Roda…

  • Anonymous says:

    Como um cara tão sensível e inteligente levou em consideração frases tão toscas como aquelas descritas acima.
    Só tu sabe a dor e a alegria de ser o que se é.
    Bjo!

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  • Fy says:

    Ok. Vc viu a “Máquina do Mundo” e compreendeu o Universo.

    – Uau !

    Talvez a e-nor-mi-da-de – foi a melhor palavra que encontrei – desta sua afirmação seja o que está te atrapalhando.

    Em Fausto, Goethe afirma: – “A man sees in the world what he carries in his heart.” –

    Em Duna, Herbert observa: – “Anything outside yourself, this you can see and apply your logic to it. But it’s a human trait that when we encounter personal problems, these things most deeply personal are the most difficult to bring out for our logic to scan. We tend to flounder around, blaming everything but the actual, deep-seated thing that’s really chewing on us.” –

    E, ainda Herbert filosofando refinadamente: – “There is in all things a pattern that is part of our universe. It has symmetry, elegance, and grace – these qualities you find always in that the true artist captures. You can find it in the turning of the seasons, the way sand trails along a ridge, in the branch clusters of the creosote bush of the pattern of its leaves. We try to copy these patterns in our lives and in our society, seeking the rhythms, the dances, the forms that comfort. Yet, it is possible to see peril in the finding of ultimate perfection. It is clear that the ultimate pattern contains its own fixity. In such perfection, all things move towards death.” –
    ― Frank Herbert, Dune

    “Yet, it is possible to see peril in the finding of ultimate perfection. It is clear that the ultimate pattern contains its own fixity.”

    Saudades!

    Fy

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    • Anarcoplayba says:

      Fy!

      Saudades de você! Estou há SEMANAS para te escrever.

      A grande questão no caso é que “a máquina do mundo” é muito mais simples e muito mais crua do que o idealizado… e essa idealização é o que decepcionou, pra começo de conversa.

      As coisas são muito mais simples… e querer complicá-las é de uma presunção sem tamanho.

      Tô de volta, Fy.

      bjbjbj

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  • Fy says:

    so, be welcome, Man!

    bjbjbj

    Fy

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