Hades e Perséfone.

March 26, 2009 § 8 Comments

Aê, mano… vô te contar uma parada que tu não vai botá uma fé!

Foi o Hades, mano! Tá ligado, Hades, mano mais novo de Zeus, o maioral lá do morro! Isso, ele mesmo, o cara que toma conta dos presuntos lá das partes baixas que o pessoal desova!

Tu não bota uma fé: o Cara deu um bizu na Perséfone, filha da dona Ceres lá da mercearia Primavera, que leva os rango e as parada de come pra geral, e achou a mina mó gostosa, aê.

Só que o Hades manda mal pra caralho no veco, e a mina deu um fora nele e mandou ele ir passear. Mano… tu não bota fé, o cara injuriou, deu um mata leão na mina, colocou ela na carruagem e mandou tocar pro muquifo dele. Entrô lá e mandou a letra:

– Ô Perséfone, enquanto tu não juntar os trapos comigo e ficar morando comigo aqui, tu não arreda o pé dessa casa!

A mina nem deu bola. Deixou o cara se esguelar lá.

Só que a mãe da mina percebeu que a filhota sumiu e nem pensou duas vezes! Rodou meio morro atrás da mina até que um X-9 desgraçado deu com a língua nos dentes e disse que viu a mina entrando no possante do Hades.

Véio… tu não bota uma fé… a mulher ficou irada! Baixou a pomba-gira na velhaca e ela disse que enquanto aquele desavergonhado não largasse da filha dela, não ia ter primavera pra ninguém!

Só que a Dona Ceres não era só a dona da mercearia… ela também que preparava a comida dos mano da prisão. E quando os mano começaram a sentir falta do rango da dona Ceres eles foram trocar um pá com o maioral.

Subiram o morro do Olimpo e mandaram a idéia:

– Aê, Mano Zeus, a dona Ceres parou de mandar o rango e fechou a Mercearia Primavero, brou! A gente tá sem rango! Bota ordem no barraco!

Zeus que tava esperto da mutreta de Hades colou e disse pro moleque virar sujeito homem e largar de marra: a mina não quer, não quer e pronto!

Quando o maioral do morro soltou a letra Hades viu que a casa tinha caído e falou:

– Pó dexá! Amanhã de manhã el tá na mercearia!

Quando chegou em casa, ele viu que não ia ter jeito mesmo e preparou uma janta na estica pra mina. E não é que a mina curtiu?

Na manhã seguinte, quanto ele chegou com a caranga pra devolver a mina pra mãe ele mandou a letra:

– Ó, dona Ceres, é melhor a gente trocar uma idéia agora porque a coisa não tá certa não! A mina vai lá… fica na minha casa… se ela fosse realmente a prisioneira, ela não tinha jantado comigo ontem! E a mina comeu! Lá na minha goma a gente tem umas regras: jantou com a gente, é parte da casa!

A mãe da mina desacreditou! Ela tinha falado pra ela nunca comer nada na casa dos outros e a mina solta uma dessas! Agora a mãe não podia fazer mais nada também: a mina comeu porque quis, agora tinha que casar!

Zeus, sentindo o barraco armar soltou a letra:

– Escutaqui que essa treta já durou muito. O dona Ceres, a sua filha passa um terço do ano contigo, um terço com o mano Hades aqui, que já provou que curte a mina e é sujeito respeitador, e os outros três meses ela estica por onde quiser, belê?

A dona Ceres concordou, e todo ano, quando a filha vai pra casa da mãe, ela dá uma puta churrascada e uma festa, pra comemorar a reabertura da mercearia primavera.

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