Carta a uma jovem escritora.

January 23, 2016 § 2 Comments

Minha cara, boa noite.

Antes de mais nada, peço desculpas por colocar tema tratado privativamente como tema de texto, mas espero que entenda: Seu questionamento levou a uma série de reflexões que desembocaram na resposta que eu te dei mas prosseguiram naquilo que demorei mais para elocubrar e não pude lhe dizer. Esta carta serve, portanto, para tentar organizar tudo o que eu tenho a dizer a respeito. É pouco e óbvio, mas que meu pecado seja afirmar o que para mim é óbvio e talvez, para os outros, não seja.

Você me perguntou que dicas eu tenho a dar para quem pretende se aventurar pela literatura. Fui questionado enquanto professor mas respondi como escritor, coisa que igualmente agora faço.

Em primeiro lugar, se você pretende se aventurar pela literatura, você tem que saber o que é literatura. O que é, como nasceu, para que serve e porque você deveria (se é que deveria) gastar horas, dias, semanas, meses e anos da sua vida fazendo isso. Pois bem, a literatura é o registro textual perene que busca levar ao leitor uma certa ideia ou um certo sentimento. Se o que você está fazendo não é isso, não é literatura. Não significa que não seja algo divertido, agradável ou que lhe faça feliz, mas é qualquer outra coisa. Vale dizer: uma selfie não é literatura, texto no facebook não é literatura, diário íntimo não é literatura and so on.

Tal definição não é purismo: serve para te orientar. O objetivo do texto literário é alcançar o leitor. Se você consegue entregar, com precisão, aquilo que você desejava entregar, missão cumprida. Seu maior treino será a Arte de fazer a intenção corresponder ao resultado. Por isso o seu texto tem que ser claro. Tem que ser inteligível. Ele não pode contar com a boa vontade ou companheirismo do leitor. Não pode depender da sorte.

Existe uma única exceção para essa regra: Se sua intenção for entregar ao leitor a confusão, a confusão do seu texto pode ser o meio para isso. Mas cuidado: essa técnica é arriscada e demanda extrema dedicação.

Em segundo lugar: Todo mundo escreve aos dezesseis anos. Poucos continuam aos vinte. Essa é a triste verdade. Se você pretende escrever tenha em mente que é um trabalho de persistência. Trabalhe o seu texto em termos de processo de vida. E nesse momento vem um dos maiores conselhos que eu posso te dar: organize seus arquivos. Desse conselho derivam os outros que eu já lhe disse: Escreva em um editor de textos e não escreva no facebook ou em qualquer rede social.

O Facebook foi feito para se comunicar, não para criar. Se algum dia você quiser encontrar aquele texto que você escreveu anos atrás, vai ser impossível localizá-lo. Minhas sugestões são: em primeiro lugar use um sistema de cloud storage. Aceite a realidade: usamos o computador para escrever. Ocasionalmente você rpecisará do papel, mas a regra é o uso de meios digitais. Guardar seus textos em UM lugar é pedir para, um dia, perdê-los. Isso é uma tragédia. Guarde seus textos em um computador E em mais algum lugar. Se possível, de tempos em tempos faça um backup mais seguro e revise-os. Um blog também ajuda, mas é um ponto secundário.

Em terceiro lugar: encontre harmonia entre a inspiração e a transpiração. Escreva, sim. Escreva muito, publique, debata, converse, troque impressões e opiniões. Mas também leia. Leia muito, ouça muita música, veja muitos filmes, passeie no parque e cuide de um jardim. É importante tomar cuidado com a figura do beneditino enclausurado no mosteiro escrevendo sobre a vida. Qual a sabedoria alguém que não viveu tem a falar sobre a vida? Viva a sua vida e viva a vida dos outros. A única forma de conseguir mais experiência de vida é pela experiência alheia. Filmes, livros, discos e conversas.

Melhore suas habilidades linguísticas, sempre. Português, inglês, francês, italiano, hebraico. O texto é uma forma para transferir uma emoção, mas não se separa forma de conteúdo. Você tem que estar em constante esforço consciente de aprendizado. Seja você mesma, mas também seja o seu melhor.

Sempre coloque a mão na consciência e se pergunte por que você quer escrever. Se você quiser contribuir para a Arte e para a Vida do seu leitor, escreva. Se seu objetivo for o reconhecimento, jogue a caneta no lixo. Nenhum bom autor nunca conseguiu nada escrevendo para si. Todo grande autor contribuiu para o mundo e, por isso, foi reconhecido. O egoísmo e o egocentrismo é desprezível em qualquer ser humano. E o escritor não tem o direito de ser desprezível.

É possível que critiquem você. E é possível que você receba dois tipos de crítica.

O primeiro tipo é aquele que acredita que sua obra não é boa o suficiente. Essa crítica vai apontar fundamentadamente alguns pontos que, na visão do crítico, são negativos. Essa crítica pode ser ou não pertinente. Se alguém lhe diz que para ele o texto não ficou bom, está falando a verdade.

O segundo tipo de crítica é aquele que não quer que você crie. Ponto. Esse tipo de crítica provavelmente será vaga e sem fundamento. Talvez se valha de senso comum para te desestimular. O famoso “isso não leva a nada”. Esse é o pior tipo de crítica, especialmente se você for como eu. Não se trata do questionamento a respeito da sua técnica, trata-se do esforço em fazer você não criar nada de novo. Nem um por cento da humanidade cria. Um pouquinho que você já faz já coloca você em outro patamar. Muita gente vai querer te manter no mesmo local. Tome cuidado. Se alguém falar de forma absoluta que o texto não presta, provavelmente é uma mentira.

Respeite seus limites, mas não muito. Comece curto, mas ambicione. Poemas, crônicas, contos, novelas. Quanto maior o texto, maior o esforço. É importante que você colha frutos rapidmente no começo, mas também é importante que você tenha projetos de longo prazo.

Sempre leia, pois é isso que vai te dar uma ideia de para quê serve a escrita. Sempre estude, nem que seja pouco, pois isso é o que vai te permitir ampliar os horizontes. E sempre escreva, nem que seja lentamente, pois é escrevendo que você criará o material que poderá ser peneirado, lapidado e polido.

Peço desculpas se contribuí pouco, mas é o que é possível para esse autor de pequena literatura.

Lhe desejo toda a sorte do mundo e que você possa contribuir para a Vida.

Abraços do front,
Anarco.

Post leve pra descontrair.

February 22, 2010 § 6 Comments

Ok, eu ia escrever o post de fim do grande torneio de criatividade sexual no domingo, mas não rolou.

No entanto, se levarmos em conta que na Bahia o Carnaval vai até as festas juninas, ainda dá tempo.

Bom, como eu havia previsto e planejado, o resultado final do concurso foi o nome que eu mesmo escolhi: Manobra Schaefer-Ripley.

O nome foi escolhido por razões simples: primeiro, ele segue o princípio básico proposto: desvincular o nome da técnica do meu nome. Não faria sentido eu alterar o nome original para algo igualmente egocentrico.

Em segundo lugar, não é óbvio.

Em terceiro, é uma homenagem aos dois maiores especialistas em Predadores e Aliens:

O Major Alan “Dutch” Schaefer:

E a Tenente Ellen Ripley:


Ou seja, tecnicamente, quem chegou mais próximo foi a Karina, motivo pelo qual ela é quem ganhará “A Jangada de Pedra”.

No entanto, meu plano desde o início não era premiar uma pessoa, mas sim me livrar forte de uma caralhada de livros, portanto, informo que embora a Karina tenha ganho o prêmio principal, eu encaminharei no mínimo um livro para cada um que mandou uma sugestão com um endereço válido de e-mail no comment.

(Sim, eu sou tipo um gênio do mal, só que meio burro e bonzinho.)

Isso significa que eu mandarei (ainda essa semana) um grande e-mail pedindo dados para mandar os livros para vocês (pessoas de Sampa podem marcar de retirar pessoalmente).

Post Rápido Pré-Carnaval – Torneio de Criatividade Sexual.

January 27, 2010 § 20 Comments

Ok, acabei de voltar de Cruzeiro (ontem, na verdade), e, depois de ler todos os meus emails pertinentes, apagar todos os emails pornográficos recebidos (sério, eu não preciso assistir um clip de um minuto de mais uma loira gostosa: Tenho o redtube pra isso), e ler todos os meus feeds (106 em três dias, o que me fez cancelar o feed do lolcats), venho por meio deste rápido post (vou pra Campo Grande amanhã pela manhã) informar:

Embora eu queira fazer posts mais legais e relevantes, agora que eu trouxe mais ou menos metade da minha ex-biblioteca de Cruzeiro pra cá, posso escolher livros melhores para distribuir, o que me permite, igualmente, ser mais exigente e lançar o torneio que eu estava planejando.

Bom, para os que não sabem, eu escrevi esse post falando sobre sexo oral. Meses depois, no entanto, escrevi esse post explicando porque foi uma idéia idiota chamar o explicitado anteriormente de “Método Anarcoplayba de Sexo Oral”: não fui eu que inventei, não fui eu que descobri. Só porque ninguém me ensinou, não significa que eu fui o pioneiro.

Então, aproveitando os tópicos, temas, e empolgação surgida, eis o grande torneio: Quem de vocês criará o melhor nome para o até então batizado de “Método Anarcoplayba de Sexo Oral”.

Sim, exatamente: Até o carnaval estarei aceitando sugestões de nomes por email (pro email no canto, ó) ou comment pra técnica de sexo oral descrita.

O criador do nome mais engraçado/criativo/legal vai ganhar:

1) A menção no post original.

2) O livro “A Jangada de Pedra”, do Saramago.

3) Mais alguma coisa que eu ache legal.

Critérios de seleção: O que eu gostar mais.

Desde já eu aviso: se alguém acertar o nome que eu bolei, essa pessoa vai ser ganhadora automática, se não, eu escolho um vencedor arbitrariamente e dou os prêmios, e coloco o nome que eu quero (que eu achei legal pra caralho).

Exato, isso não é democrático, não é transparente e nem justo.

Cry me a river, build a bridge and GET OVER IT.

Boa sorte.

Dando Continuidade à Lenta Destruição da Minha Biblioteca…

January 12, 2010 § 8 Comments

Ok, as primeiros duas levas de livros foram devidamente remetidas pelo correio às presenteadas, e a Nicky só precisa me avisa quando vai estar em Sampa pra pegar o livro dela (quando eu tiver voltado da Paraíba, claro) e, para dirimir os boatos de que eu escrevo esse blog apenas para comer várias mulheres, vou “sortear” um livro que as mulheres não vão querer ganhar e que, por sinal, é o livro mais Gay que eu já li: O Senhor dos Anéis.

Sério, gente, é a história de dois hobbits que foram subir a montanha pra queimar um anel.

E não vou nem entrar no mérito das cenas claramente homossexuais, de forma que podemos resumir toda a história em menos de vinte segundos:

Ok, sério agora: alguém aqui quer a trilogia do anel? Em bom estado de conservação.

Resolução de Ano Novo.

January 7, 2010 § 12 Comments

Ok, começou o ano, e eu gostaria de compartilhar com vocês uma das minhas resoluções de ano-novo.

Antes de mais nada, raramente eu faço resoluções de ano novo. Em geral elas são coisas bobas do tipo “ler mais”, “estudar mais”, “treinar mais”, etc.

Nunca é uma revolução: em geral é uma pequena evolução. Ou, como eu gosto de pensar, o acréscimo de uma pequena camada de complexidade.

Esse ano, em meio a outras pequenas resoluções de ano-novo, eu tomei uma decisão um tanto quanto inédita: me doar um pouco mais pro mundo.

Não é uma decisão súbita: ela ficou alguns meses rodando na minha cabeça. Na verdade, quase o ano inteiro. E alguns pequenos atos nesse ano foram reflexo disso. Os posts sobre sexo, por exemplo: Não que seja algo revolucionário, ou que vá mudar a vida sexual de quem ler (mas se mudar, comentem, porque eu vou curtir saber), mas é algo do tipo: se eu sei, deixa eu dividir com os outros.

O resultado? Até agora, nenhum.

Por outro lado, dando uma olhada no meu quarto (que sempre está uma bagunça), percebi que o meu maior problema de organização é falta de espaço. Isso atrapalha pra caralho a minha vida.

Por outro lado, o que mais ocupa espaço no meu quarto são meus livros: eu tenho muito mais livros que estantes (no caso seis).

Somando a isso um terceiro fato: a maior parte dos livros eu já li, poucos deles eu vou querer reler e outros poucos são livros de consulta. Ou seja: de certa forma, eu tenho uma biblioteca para me auto-afirmar na qualidade de pessoa inteligente, o que é uma puta insegurança e uma puta falta de fé (afinal, se eu li o livro, presume-se que ele seja parte de mim).

Com tudo isso em mente, eu decidi que vou iniciar no Anarcoblog, no twitter, no formspring e onde mais eu tivar uma vida virtual, pequenas promoções relâmpago, nas quais eu vou dar alguns livros de presente. Todos livros que eu já li e não pretendo ler de novo e/ou guardar.

(E sim, antes que alguém se ofenda, isso implica dar alguns livros que eu ganhei de presente.)

Os critérios variarão muito. Algumas vezes eu vou escolher um livro de acordo com a pessoa; outras vou fazer um concurso; em outras vai ser um esquema quem chegar primeiro; em outras vai ser um torneio de sexo oral.

Tenham em mente apenas que eu vou tentar ser  mais imparcial e justo o possível.

Já iniciando, informo que a Nicky foi a ganhadora hoje (por responder no twitter) do livro “O Grande Gatsby”.

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