Os Corvos da Torre de Londres.

December 24, 2012 § 1 Comment

Uma antiga lenda afirma que se todos os corvos da torre de Londres se perderem ou voarem, a coroa britânica cairá e a Inglaterra com ela.

A veracidade dessa lenda ainda não foi testada, uma vez que há séculos (para evitar o pior) são mantidos sete corvos na torre (seis obrigatórios e um de reserva).

Durante a Segunda Grande Guerra, por causa dos bombardeios, apenas um corvo restou na Torre. Por sorte, Churchill determinou que mais corvos fossem comprados para que o bando retornasse ao seu tamanho original e recomendável. Inegavelmente, Churchill foi o maior herói da Segunda Grande Guerra.

Piadas à parte (ou não) os corvos são mantidos na Torre, às expensas do povo (assim como a coroa) e tem só que fazer aparições públicas de vez em quando. Contanto que ele não tenha um comportamento inapropriado, nada mais desagradável que o corte das penas de vôo de uma das asas vai acontecer com eles.

Em resumo, contrariando todas as expectativas, em pleno século XXI, um governo mantém uma tradição medieval.

Pessoalmente, eu me identifico muito com a Coroa Britânica. Não porque eu tenha guardas com chapéus de pele de urso ou tome muito chá. Muito menos porque eu crie corvos. Embora eu admita que vá ser muito legal.

Mas mais porque eu sou apegado a algumas tradições.

Notoriamente o Almoço de Natal Malandricus.

Desde 2003, tradicionalmente (sim, em 2003 já era tradicional), os então Malandricci se reúnem para comemorar o natal com um grande almoço em algum lugar.

Começou na casa do Ripper. Passou várias edições pelo prédio do Sucesso. E chegou mesmo a ter uma edição no apartamento da mãe do Reverendo (que estava desocupado e, portanto, sem luz).

O naipe de surrealidade foi estarmos comendo sanduíche de metro e tomando cerveja no escuro enquanto falávamos de reminiscências de um passado tão distante naquela época como hoje.

Da primeira edição para a 9ª edição, algumas coisas mudaram. Algumas pessoas vieram uma vez. Outras vieram algumas. Outras estão sempre presentes. Comidas estiveram melhor. Comidas estiveram pior. Cerveja, vinho, destilados. Quanto mais as coisas mudam, mais elas continuam as mesmas.

Esse ano, quase tivemos um grande problema. O Salão reservado estava em reforma. Solução? Muda a Ceia pra minha casa. Porque é uma tradição. Porque tem que ter.

Enquanto um corvo estiver na Torre de Londres, a Coroa se manterá. A Coroa não serve pra nada. É só um símbolo.

Enquanto tivermos a Ceia… Se manterá. Não sei dizer se a esperança, a felicidade, a alegria ou o que quer que seja. Mas se manterá.

Já falei isso antes, mas se meus amigos partirem, estou perdido.

E por tudo isso, que precisa de apenas um corvo para se manter, convido a todos para nossa ceia.

E, mais uma vez, rendo minhas homenagens aos amigos ausentes, aos amores perdidos, à estação das dúvidas… e rogo para que cada um de nós dê ao demônio aquilo o que ele merece.

Shelá!

O Virtual e o Real.

August 20, 2010 § 13 Comments

O tempo, muitas vezes, deturpa o significado das palavras.

Na antiguidade clássica, prostitutas eram as mulheres que se prostravam nos templos dos cultos lunares onde deveriam fazer sexo com um estranho que pagasse para tanto.

O engraçado era que todas as mulheres faziam isso. Algumas pela vida toda, as sacerdotisas, outras apenas para obter as bençãos da Deusa da Fertilidade da época.

O sexo com essas prostitutas era considerado sagrado, admitindo-se que o homem não fazia sexo com uma mulher, mas sim com a representante da Deusa (tipo quando a polícia de Diadema te dá um tiro: você foi agredido pelo Estado), de forma que não contava para fins de defloração.

Ou seja: pra um casamento ser abençoado, a mulher tinha que viver um dia como puta. As coisas de fato mudam.

Mas tergiverso: tudo isso foi pra falar que o título do post não tem nada a ver com computadores, internet ou as ditas amizades virtuais.

Tem a ver com física. Pra ser mais preciso, óptica geométrica.

(Isso mesmo,  o ramo da física que estuda a o comportamento da luz ).

Dentro de um sistema ótico possuímos dois tipos básicos de imagem: as imagens virtuais e as imagens reais.

Eu era uma anta em óptica geométrica, mas a definição simples é: Imagem Virtual é aquela formada pelo prolongamento dos raios de luz que são percebidos pelo observador, enquanto a imagem real é a imagem formada pela projeção dos raios de luz.

Na tela do cinema, as imagens são reais, num espelho, as imagens são virtuais.

Pense que o que você vê no espelho não está lá: é uma construção feita pelo seu cérebro que interpreta aqueles raios saindo de lá de criando uma imagem para justificá-los.

Sim, eu sei, isso abre incontáveis possibilidades para posts, mas eu não quero falar sobre isso. Ainda.

O fato é que ao observar algo, muitas vezes, passamos por alguns problemas.

Por exemplo, demorou alguns anos para conseguir medir a altura do Everest porque a diferença na pressão atmosférica agia como uma lente. Ou seja: A imagem que tínhamos do Everest não era real: era virtual.

Por outro lado, diversas estrelas que vemos não estão mais lá. Eu sei que é impreciso usar o termos “imagem virtual” para nos referirmos à imagem que temos delas, mas de certa forma, é isso mesmo que estamos vendo: uma imagem decorrente do prolongamento dos raios de luz que saíram daquele objeto milênios atrás.

Ou seja: se hoje mirássemos naquela estrela e mandássemos uma nave para lá, tripulada com um highlander, quando ele chegasse lá, daqui a alguns milhões de anos, tudo o que ele encontraria é um buraco negro, uma anã branca (ou marrom, sei lá), algum outro corpo celeste que sobrou, ou meramente espaço vazio.

E esse é o risco que corremos quando nos deixamos guiar por imagens: descobrir que o real não estava onde pensávamos, mas estava sim, em outro lugar.

Claro, não quero dizer que não devemos ter objetivo algum: um objetivo errado te leva mais longe que a ausência de objetivos, fora que, na pior das hipóteses, você vai poder chegar lá e descobrir que a montanha não era mesmo tão alta e que as uvas estavam verdes mesmo.

Mas VOCÊ vai saber. E diante desse saber, vai poder escolher novos objetivos.

Mas eventualmente pode ser relevante pra você saber que é melhor não entrar naquela nave pra tentar alcançar aquela estrela.

Em primeiro lugar, porque ela não está mais lá. Em segundo lugar, porque você não é nenhum highlander.

Então… você quer saber a história dessas cicatrizes?

June 29, 2010 § 28 Comments

Porque esse é um texto em resposta… e por ser uma resposta, talvez eu concorde, talvez eu discorde, talvez eu concorde ou discorde em termos.

Anos atrás estava em Caçapava, andando e conversando com meu pai. Não me lembro de muitas conversas com ele, de fato, conversávamos pouco, mas um dia ele comentou de um amigo dele que estava no carro com o filho de 19 anos, o carro capotou e caiu ou bateu numa árvore ou arbusto, sei lá.

Ambos saíram ilesos, exceto pelo filho que teve UM ferimento: um galho da árvore perfurou o olho dele e entrou no encéfalo. Cinco centímetros de galho no lugar errado mataram o garoto.

O pai dele, que aparentemente era divorciado, entrou em um comportamento patológico que um ou uma psiquiatra ou psicólogo ou psicanalista disse que se chamava “Complexo de Eros”, que basicamente era o complexo de Thanatos ao contrário.

No complexo de Thanatos você fica fascinado pela morte, no de Eros, pelo sexo.

Basicamente, porque o cara entrou em uma depressão profunda ele saiu copulando por aí como uma tentativa de mitigar o sofrimento.

Boa parte do problema que eu hoje tenho com psiquiatras, psicanalistas e psicólogos (exceto você, Nina… ou especialmente você, Nina) é o fato de que eu estou declaradamente no meu Projeto Insanidade: uma espiral ascendente e gloriosa de insanidade flamejante.

A loucura é apenas uma razão que não nos convém… E se a sua razão não resolve seus problemas… mude sua razão.

Eu explicaria o porque dessa insanidade gloriosa. Mas boa parte dela está espalhada por este blog. Foram pequenos momentos de iluminação, ou clareamento espiritual se preferir e diz respeito, assim como toda essa discussão sobre anedonia depressiva, sonhos, metas, desejos e prazer,  a uma pergunta muito simples:

Qual o sentido da vida?

Sério: de onde viemos, quem somos, para onde vamos, onde estamos?

Fomos criados por Deus? Se sim, cadê ele? Por que ele não aparece e acaba de vez com essa dúvida. Se ele não aparece, ele não existe! Se existisse, já teríamos provas!

E, bom, se Deus não existe, ou se eu não posso descobrir, ou se não rola provar, a única certeza que temos é que existimos, correto? Afinal… pensamos, logo, existimos. E, bem, já que eu não sei o que eu vou fazer com a  minha vida, já que eu não sei o que eu DEVO fazer com ela, vou fazer o que eu gosto, o que é bom, o que me dá prazer.

É LÓGICO! É RACIONAL! FAZ SENTIDO!

E por favor, não estou falando para não fazer isso! É importante! Quer derrotar o desejo? Sacie-o.

Mas existe um porém… A gente acha que se passar no vestibular vai ser feliz… e por um tempo é, mas passa. Então acha que se comer muitas mulheres vai ser feliz e (torço por vocês) consegue comer várias mulheres, e fica feliz… mas passa. Então decide ter uma casa cara… um carro caro, uma vida cara, uma esposa cara, filhos caros… e pra quê?

E você vai ficando cada vez mais difícil de satisfazer e chega numa encruzilhada: bom, se eu tenho de tudo e não sou feliz… o que está errado?

ESSA é a hora em que a coisa começa a mudar de figura. Esse é o plot point, o momento da revelação, e a sua vida vai depender de como você reage a ele.

Uma resposta comum é: bom, se eu tenho tudo e não sou feliz, então terei mais, porque deve estar faltando alguma coisa!

Essas pessoas tentam resolver seus problemas com mais da solução que já tentaram.

Outras vezes as pessoas pensam: bom, eu tenho de tudo e não sou feliz… então… deve ter algo errado comigo! Vou tomar antidepressivos!

E existem as pessoas que decidem enlouquecer. Se a minha razão não me traz felicidade… deixa eu tentar uma outra razão.

E esse é o ponto do “Formatura” escrito tempo atrás. Lá, anos atrás, com a cabeça cheia de vodka vagabunda e lança-perfume eu percebi: Eles não têm motivo para estarem felizes… mas estão.

E se eu pudesse falar para vocês de uma forma clara e simples o suficiente eu juro que eu falaria, mas não dá! Não dá porque eu não atingi esse nível de transcendência!

Mas algumas pessoas atingiram e, talvez sem querer, passaram adiante a mensagem.

Anos atrás eu assisti Michael Clayton. Eu já escrevi aqui sobre esse filme, e eu adoraria encontrar em algum lugar na internet o diálogo, de forma que eu pudesse só copiar e colar, mas eu não sei, então eu vou tentar citar de cabeça, e não é muito difícil porque, bem, quando eu vi o filme, marcou.

Arthur está na prisão, conversando com Michael e quando Michael pergunta o que aconteceu Arthur responde:

“- Sabe, eu estava na minha sala, fechando um prazo, já era mais de dez da noite, quando o sócio do meu departamento entrou na minha sala com uma garrafa de champagne e duas taças na mão e me disse: ‘Arthur, vamos comemorar: DEBITAMOS TRINTA MIL HORAS NO CASO UNORTH!'”

“- Eu peguei a minha champagne e fui com ele praquele puteiro novo que abriu, e lá, escolhi duas ruivas e levei para o quarto. Elas eram recém chegadas da Lituânia, e elas eram ótimas, estavam se revezando em turnos chupando meu pau e eu decidi que queria que aquilo demorasse, então eu comecei a pensar em números…”

“- Trinta mil horas… 24 horas por dia… 148 horas por semana… 592 horas por mês… isso dá… 60 meses… cinco anos…”

“- E de repente eu não queria mais pensar em números, eu não queria pensar em mais nada, mas eu não conseguia… elas continuavam chupando meu pau, mas eu não conseguia parar de pensar! CINCO ANOS! CINCO ANOS! CINCO ANOS!”

“- Cinco anos, um décimo da minha vida, defendendo uma empresa que causa câncer em centenas de famílias no meio-oeste! E pra quê? Pra ter duas ruivas lituanesas chupando meu pau? É isso que eu vim fazer na face da terra? Essa é a minha missão? Esse é o meu Santo Graal????”

E nessa hora eu não consegui, mas eu TIVE que fazer uma conexão! Porque eu estava assistindo o filme com uma ruiva gostosa que passou a noite anterior inteira me chupando, e aquilo era ridículo, porque eu não precisava estar naquele cinema, vendo aquele filme com aquela mina!

O que eu estava fazendo com a minha vida? Qual era o meu objetivo? Eu estudei muito pra passar numa faculdade pública pra ganhar muito dinheiro, pra comprar uma casa cara, um carro caro, uma esposa cara, comer putas caras uma vez por mês? Pra quê?

Porque você nunca vai se sentir satisfeito de uma coisa que você não quer!

E ESSE é o ponto! A gente sente falta de ALGUMA coisa… MAS NÃO SABE O QUE É!

E mandam você comprar, porque se você comprar você vai ser feliz, e mandam você foder, porque se você foder você vai ser feliz, e mandam você viajar, porque se você viajar você é feliz e mandam você ir na igreja, porque se você for na igreja você vai ser feliz, e no fim, você vive uma vida fazendo o que os outros mandam, iludido de que é o que você quer, mas não é!

Porque se fosse, você seria feliz!

Mas não funciona!

E as pessoas não percebem que você vive as situações em círculos, cada vez maiores e mais dolorosos, até você ENTENDER o que tem pra ser entendido! Até você tirar a lição que tem pra tirar! E ISSO me irrita! Não se trata de anedonia! Não é uma incapacidade patológica de se satisfazer, não se trata da incapacidade de ser feliz, não se trata de felicidades passageiras criadas por si mesmo para uma ilusão de felicidade num processo de auto-engano.

Se trata da busca de uma felicidade errada! Não porque é “errado”, “sujo”, “pecado” ou o que quer que seja: É porque não satisfaz!

É porque felicidade de verdade é uma rosa que nasce no meio do sofrimento.

E isso não é uma frase bonita.

*Projeto Nostalgia.

August 2, 2007 § 3 Comments

Suspirara.

Jamais imaginaria que um suspiro lhe deixaria tão desconfortável. Era como se subitamente aquele banco de concreto num parque fosse uma relíquia de um tempo em que os seres humanos ainda andavam de quatro, com punhos fechados apoiados contra o chão e sem polegares opositores. Todas as suas vértebras reclamavam daquela posição que se tornara incômoda pelo peso de um suspiro.

Mas que idéia. De quem tinha sido a sugestão de se reencontrarem naquele banco, naquele parque?

Não havia nada de errado com o lugar. Não significava nada para eles. Em verdade, nunca significara nada para eles sequer isoladamente, quanto mais enquanto casal. Era um terreno neutro, no qual ambos poderiam conversar sem se sentirem pressionados.

Com sorte o acaso lhes daria algum assunto. Uma criança tropeçando, um velhinho passeando com um poodle, como um Millôr perdido no tempo, no espaço e em outra dimensão. Mas isso não faria diferença: ela nunca gostara de Millôr.

Subitamente, tudo o que ele queria era que eles estivessem frente a frente, não lado a lado. Era como se ao se encararem, com os olhares de encontro um ao outro, alguma relação pudesse ser travada. De amor, de ódio, de paixão. Se enfrentarem seria a melhor coisa que poderia fazer.

Não daquela forma. Não lado a lado, com os olhares indo ao encontro de uma criança que andava num triciclo, uma simbiose de capacetes e joelheiras e luvas e rodinhas numa bicicleta feita para que não se machucassem. Seus olhares coincidiam apenas na direção e sentido. Nenhum dos dois via a mesma criança de capacetes, joelheiras e proteção demais.

O que ela fizera nos últimos anos? Será que ela leu Ulisses como queria? Ou mesmo Finnegan’s Wake? Um ser humano não pode morrer sem ler Joyce uma vez ela lhe dissera. Um ser humano não deve morrer sem ler Joyce, ele a corrigira, como alguém que sabe que pessoas morrem com sonhos inacabados, embora acalentasse a vontade do realizar todos sonhos do mundo, especialmente os que não eram dele.

Com certeza ela lera Joyce. Isso explicaria tudo. Porque em tão pouco tempo ela envelhecera tanto. Havia lido Joyce e se sentia pronta para morrer. Pensou em lhe perguntar e havia lido Joyce, com uma risadinha constrangida que ao final soaria forçada, mas teve medo de estragar o silêncio.

E a ele? O que restara? Escrevia um romance e teria filhos, tinha essa convicção. Mas não sabia se deveria plantar uma árvore. Achava que deveria, claro, mas não sabia como. Não literalmente, pois não há grande mistério nisso: instintivamente sabia que as folhas eram pra cima, as raízes pra baixo, em sentido vertical, e com o caule para fora.

Como uma enorme seta “esse lado para cima” colada pelo bom senso.

Isso era fácil. A questão era que árvore deveria plantar. Qual seria a marca que ele deixaria no mundo?

Madeira de lei? Uma pretensão de deixa algo nobre que viraria um pedaço de móvel, mais dia menos dia? Árvore frutífera, uma tentativa vã de dar algo doce a alguém sem nenhum esforço, como uma caridade involuntária que faria algum desavisado, um dia, agradecer a quem plantara aquela árvore?

Quais as marcas que ele deixaria no mundo? Quais as marcas ele deixou nela?

Ela permanecia em silencia, com olhos de Coronel Kurtz, fitando o espaço vazio.

Árvores transformavam gás carbônico em oxigênio. Ela transformava oxigênio em nostalgia.

Um pombo passou voando sobre eles. Secretamente desejou que fossem alvo de uma piada de Deus, ou da mira de um pombo. Era como se a melhor coisa que pudesse lhes acontecer fosse uma piada do imponderável. Com se a saída daquela peça de Sartre fosse um pastelão. Onde estavam Stan Laurel e Oliver Hardy quando precisavam deles?

Queria dançar.

Não um tango, ou um bolero. Nada que colocasse qualquer romance no ar. Muito menos queria dançar sozinho. Não era uma música sobre ele. Não era uma música sobre ela. Era uma ópera sem coro. Uma tragédia grega escrita por um romano.

Mas transformaria aquilo num musical dos anos trinta. Dançaria na chuva, como Gene Kelly, não como Malcolm McDowell. E a tiraria para dançar. Como um Arlequim que ridiculariza o pálido Pierrot.

Diria que a ama, não porque fosse verdade, mas porque todo filme deveria ter um diálogo que termina com “eu te amo”.

Levantou de um salto, a puxou pelo braço e lhe disse, com os olhos indo de encontro a seus olhos: “Quer um sorvete?”

*O Projeto Nostalgia não é sobre a realidade. Não pretende retratar meu cotidiano, ou um acontecimento da minha vida, ou a realidade. O Projeto Nostalgia é meramente uma tentativa de escrever alguma ficção, pois tudo o que eu tenho para falar de sério, por ora, já foi dito, e estou com saudades de uma época na qual o que eu escrevia não tinha qualquer mensagem para transmitir. E quem não gostou… que conte outra estória… J

Férias da malandricagem.

July 16, 2004 § Leave a comment

Ceeeeerto (como diria Rípper)… Estamos hiperativos ultimamente… Nossos posts estão surgindo, surgindo, surgindo, surgindo… juro que a partir de agora vou dar um tempo…

 

Mas eu tinha que falar de uma coisa que eu acho que me distingue (HEY! Isso NÃO é algo necessariamente bom…) dos demais malandricus: Pra quem não sabe eu fui criado numa fazenda uma parte da minha vida… acho que eu ainda tenho um q de “bicho do mato”. Adorava andar à cavalo (não sei se ainda lembro), acampar, fazer trilhas e andar por lugares em que eu poderia ter certeza de que eu era um dos únicos a ter pisado lá. Saber que dentre outros caminhos, sempre existia uma linha reta.

De vez em quando me dá essa sensação…Vocês já se sentiram cansados da civilização? De pra onde quer que vocês olhem ter luz elétrica? De se sentir preso? De sentir falta de noite sem luz? De ver estrelas? então… de vez em quando dá isso. É uma sensação ruim de querer sair correndo pelo mato, pular numa cachoeira às 4 da manhã, passar frio, acumular sereno na cara, pisar na lama, sentir cheiro de mato, andar à cavalo… É uma sensação ruim porque hoje é impossível.

 

Cruzeiro é uma merda de cidade: pouca mulher, pouca balada, pouco barzinho…

Mas de uma coisa eu não posso reclamar: se eu quisesse, eu tinha uns rios e cachoeiras maravilhosos, a uma hora da minha cama…

 

Acho que esse é um dos motivos pelos quais eu gosto de Rugby: Correr em um gramado com a intenção de chocar contra um ser humano à maior velocidade possível éo mais próximo de “vida selvagem” à qual eu chego aqui.

 

Tenho tomado pouca água, tomado pouco sol, cheirado muito concreto, vidro e metal.

Baladas são uma coisa legal… Beber tbm. Se Efedrinar é importante, e sexo é muito bom.

Mas acho que eu preciso de um fds pra desintoxicar.

 

Agora é tarde… já marquei programas demais para esse final de semana… mas semana que vem acho que vou para o interior. Nadar em água mineral e contar apenas com meus pés pra me carregar é algo do qual eu preciso de vez em quando.

 

(Ou é só tomar mais drogas…)

Drugs… who needs drugs? You are my drug. Oh, Oh, rescue me, rescue me…

July 15, 2004 § Leave a comment

Essa foi criação da minha mente doentia… Mais uma argumentação sofismática para se cometer crimes com uma boa causa:

Todos percebem que, com o passar dos anos, o tempo começa a passar mais rápido. Durante a Infância um ano era gigantesco… demorava tanto pra passar… Hj, o ano voa. Quem diria: Já estamos em Julho!

Recentemente li um estudo que fornecia uma explicação pra isso: O segredo está no cérebro.

Como todos sabem, o cérebro humano é uma máquina feita para se aperfeiçoar a todo o instante: a repetição de tarefas torna o seu cérebro uma máquina automática. Como exemplo eu cito dirigir (e eu nem tenho carta): quando você começa, vc fica tão tenso, que todas as suas atenções se voltam pra rua… com o passar co tempo, você começa a conseguir, hipoteticamente, claro, dirigir um Peugeot com seis caras dentro, bêbado, falando ao telefone, com uma arma irregular no banco de trás, uma tonfa debaixo do banco, ouvindo música alta e passando a mão na menina do lado. Situação puramente hipotética, claro.

Portanto, com a prática, o seu cérebro pára de analisar as tarefas que voê faz e utiliza as conexões neurais já feitas, te deixando “autista” com relação ao tempo: o tempo passa, você faz suas tarefas, mas não percebe, pq seu cérebro automatizou tudo!

E esse é o efeito da rotina: todos os dias o mesmo caminho pro trabalho, as mesmas pessoas, as mesmas tarefas, as mesmas músicas na rádio… Você pára de prestar a atenção no mundo à sua volta e vive no automático.

Portanto, para começar a viver de verdade você tem que colocar seu cérebro pra funcionar, i.é, conhecer coisas novas, aprender, formar novas conexões neurais!

Leia livros que você não leria, vá ao trabalho por um caminho diferente, mude a cama do seu quarto de lugar, ouça outras músicas, aprenda novas poesias, comemore aniversários, dê festas, marque o tempo que ele ficará marcado em você!

Lembrem-se do retrato de Dorian Gray: Os sentidos curam a alma!

OU:

Se a questão da passagem do tempo está relacionada à automatização do cérebro através de ligações neurológicas estabelecidas você pode acabar com a rotina acabando com seu cérebro!

Isso! Durma pouco, beba muito, use drogas!

Lembre-se a cada neurônio que você destrói você está destruindo ligações neurológicas já estabelecidas e que você terá que criar novamente!

Use lança perfume! Tome efedrina! Isso vai garantir que você aprenda uma coisa nova a cada dia! (mesmo que você já tenha aprendido antes…)

Usem os 90% do seu cérebro que está lá só como “peça de reposição”!

Ou vc pretende o quê? Guardar cérebro pra próxima encarnação?!

Where Am I?

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